Estranhas parcerias entre o Banco Alimentar Contra a Fome e os supermercados envolvidos...

Tenho notado desde o início do Banco Alimentar Contra a Fome que os badalados apoios dos supermercados não passam de autorizações de permanência dos jovens voluntários nas suas instalações e que na realidade não contribuem com nada para o Banco.

Quem tem a função de contribuir é o consumidor que compra sempre tudo e coloca nos sacos do Banco o resultado da sua despesa. Afinal a publicidade dos supermercados sai quase de graça.

E tudo o que fica fora de validade ou perto disso? Para onde irá? Devoluções aos fornecedores? E se fossem entregues aos Banco a custo zero não seria mais honesto e social por parte da direcção dos supermercados? Não sei se calhar não conheço o resto do processo mas tudo me parece muito estranho...

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Comentários

Um quase exilado político-judicial... disse…
Não Mr. J.. Tudo (ou quase, presume-se...) que fica perto da validade é efectivamente entregue nos Bancos Alimentares – no plural porque há uma rede espalhada pelo país e, por acaso, o de Lisboa é o maior dos nacionais e da Europa. Pois… Incluindo os "frescos" provenientes diariamente do MARL. Tal como me sugeriram, sugiro-te a ti também (e a quem interessado…) que dê um pouquinho do seu tempo desenvolvendo voluntariado lá. Podes ver as ofertas a chegar e a partir. É grande o corrupio. Os produtos não ficam por lá muito tempo. No fim ganha-se mais do que o simples trabalho que oferecemos.

Claro que «doar» para o BA é também um excelente expediente no negócio da distribuição. As grandes superfícies utilizam este processo para verem-se livres dos excedentes e assim subtraírem os custos da sua eliminação. Além de constar no discurso da «responsabilidade social da Empresa». Mas que mata a fome a muita gente, disso não há dúvida. In loco compreende-se muito melhor a importância desta instituição e pode-se mesmo chegar a sentir um "nó no estômago" quando vemos crianças com fome (sim, meninas de seis anos…) que por vezes acompanham os adultos nas carrinhas das instituições. Deixa-nos revoltado saber que ainda há neste tão civilizado recanto quem tão maltrate crianças. Mas também há Juízes Conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça a exercerem funções de Juízes Conselheiros no Tribunal Constitucional que mentem sem pudor, por escrito, dando o seu contributo em processos de extorsão organizada... Como tal nada mais há esperar. No restante, no BA também descobrimos que há «pobres e mal agradecidos» em muitas IPSS socialmente prestigiadas (e noutras que nem tanto…) e que a instituição é um clube socialmente hierarquizado onde os serviçais devem separar-se da pseudo-elite burocrática que têm ali os seus mecanismos de promoção social. Mas também integra pessoas com necessidades especiais e todos ganham o almoço em troca de umas horas de trabalho. A verdade deve ser dita. No fundo faz a diferença. E cada vez mais nos tempos que correm…

Por isso, tal como no slogan da AMI: «dê, vai ver que não dói nada.» Mais que não seja uma mãozinha nas cargas e descargas.