Educação nacional... que futuro?

A pedido e inspirado por uma amiga professora da margem sul, coloco aqui este artigo que tenta revelar o que se passa nas escolas públicas portuguesas.

Não pretendendo ser específico na análise aqui efectuada, recordo que reconheço nos professores do ensino público um esforço sobre-humano para tentar formar jovens mentecaptos e sujeitos a constantes volatilidades e experiências da estrutura do ensino português.

Dizia esta minha amiga que estava preocupada com a estrutura governativa que nos daria suporte como país daqui a cerca de 20 anos... isto baseado no que ela via diariamente na sua sala de aula e nas histórias que os próprios alunos lhe confessam no dia-a-dia.

A inteligência que muitos alunos demonstram, dilui-se no facilitismo revelado actualmente pela estrutura do ensino português público. A permissão de progressão de ano (quase obrigatória) que se instalou entre os docentes, reduz estes a meros instrumentos de ajuda (equiparados a computadores carregados de aplicações educacionais ou mesmo clássicos explicadores) permanentemente alertas para explicar ou mesmo revelar resultados nos momentos críticos dos alunos (exemplo de testes ou exames).

Crescendo estes alunos neste pântano de fácil progressão no mundo educacional, pergunto-me se esta geração, na prática, terá alguma validade quando chegar ao mercado de trabalho, por na realidade eles não terem aprendido nada mas sim terem sido carregados ao "colo" durante a sua permanência no ensino público.

Esta atitude do governo português revela apenas preocupação com a estatística de sucesso escolar e não com a qualidade do próprio ensino, não exigindo nada ao aluno e descarregando a responsabilidade pelo sucesso ou insucesso dos jovens, directamente em cima dos professores que visivelmente já estão sobrecarregados com o excesso de burocracia exigido pelo governo do "Eng." Sócrates. Ser professor nesta terra deixou há muito de ser uma opção de carreira e sim um dos grandes martírios nacionais.

Queria que emitissem a vossa opinião para que tanto eu como as pessoas interessadas ficassem elucidadas sobre este assunto.

Comentários

Anónimo disse…
É isso, em linhas gerais e muito bem resumida, a situação é mesmo essa.
Os professores estão a sentir-se "afogados" em papéis uma burocracia desmedida, estão confrontados com alunos de ensino especial em turmas de 29 e 30 alunos, onde o efectivo apoio se for dado a dois ou três, nunca será dado aos outros 27...
Seria uma lista infindável de situações, que em nada prestigia o ensino...!
A pseudo-avaliação que nos querem impor, onde alguém que se dedique realmente a dar aulas a sério(como a maioria o faz) não terá tempo ou paciencia para floreados, será suplantado por alguém muito dotado de skils informáticos ou com um familiar que o ajude, e a respectiva avaliação será feita a partir da "papelada" que se apresenta e não pelo efectivo trabalho com as crianças e jovens, que irão ser, realmente , o futuro deste país! Tanta teoria se apregoa sobre o ensino artístico...
esse dava mais um comentário
...ensino na área das Artes Visuais há 25 anos, cada vez temos menos tempo para estar com os alunos, hoje em dia, no terceiro ciclo, são 90 minutos semanais...no secundário acabaram com disciplinas como MTEP, as horas destinadas a Geometria Descritivas, resumem-se a 2 anos (10º e 11º ou 11ºe 12º) com um programa igualmente ambicioso...
se calhar é sintoma de senilidade mas ainda me lembro de nomes dos meus alunos de há 20 anos,ainda que passe grandes temporadas sem os ver, no entanto com as 9 turmas que me atribuíram este ano, ainda só consegui decorar 4 nomes...
...papéis e mais papéis que me apresso a preencher, registos de aulas constantes, para que possa fazer uma avaliação consciente...
Se for preciso ainda tenho avaliação não satisfaz porque apanho uma gripe forte e tenho mesmo k faltar...ou porque um puto desastrado me atira pela escada abaixo e parto uma perna...
Até sempre, MasterJ continua a escrever que bem precisamos de gente assim...!