A extinção dos postos de trabalho... ou a glorificação da informática.

Relativamente a este tema e como informático de profissão, tenho a dizer que por vezes sou contra a automatização ou informatização da totalidade dos processos de uma empresa. Se por um lado as coisas têm de fluir com garantia de consistência na informação conseguida, por outro a componente humana na empresa tem forçosamente de ser respeitada.

Se colocarmos apenas máquinas e aplicações de "software" a fazer o trabalho de humanos estamos condenados a ter informações cada vez mais correctas, mas com nenhum tipo de objectivo na componente social. As máquinas reinam, mas os colaboradores definham e são dispensados (para fazerem depois o quê?).

Que tipo de vida irão fazer estas pessoas que saem das empresas a troco de nada, muitas delas já com idade avançada e sem qualificações ou mesmo sem força anímica para seguirem uma nova carreira com o medo de sofrerem uma vez mais na pele o mesmo destino. E mesmo que consigam de novo outra posição, já se perdeu toda a unidade social que existia dentro da empresa, toda a camaradagem e toda a fraternidade. Tudo destruído em prol de uma objectividade cada vez mais absurda e menos humanizada.

Que futuro teremos com tanta automatização? Dizem que servirá para termos mais tempo para nós próprios e que servirá para sermos mais felizes e podermos acompanhar as nossas famílias com mais proximidade. Tudo isto é inútil se não possuirmos dinheiro para continuarmos a viver (já que é com dinheiro que o mundo funciona). Ou isso, ou então voltamos à época da troca de serviços para sobrevivermos. Ou melhor, talvez possamos fazer dinheiro a partir de conchas ou mesmo pedras como há alguns milhares de anos atrás. :-)

Vejam as pessoas que todos os dias perdem as suas casas porque perdem o emprego, pelos mais diversos motivos (aposto que a informática está quase sempre no centro da questão), devido à impossibilidade de pagar os seus empréstimos. Estaremos mais felizes por termos mais processos automatizados? Estaremos nós a caminho do deserto irracional de desumanizarmos a nossa relação profissional e reduzirmo-nos a apenas peões no global jogo dos negócios? Parece que sim, definitivamente.

Que será de nós como pessoas? Que teremos para sobreviver? Que faremos das nossas vidas? Estas são questões que neste estadio da minha relação com a informática e depois de ter visto algumas pessoas perderem o emprego devido a algum tipo de influência causada por mim ou pela minha profissão, coloco a mim próprio e através deste espaço coloco aos meus leitores.

Com isto apenas pretendo que alguns de vocês comentem esta questão, para talvez de algum modo me fazerem sentir melhor (ou ainda pior) na minha profissão, algumas vezes apelidada de "rapinadora de postos de trabalho".

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