O estado da educação portuguesa...

Uma amiga professora pediu-me que colocasse aqui alguns textos referentes ao estado da educação no nosso país e como o prometido é devido aqui vão:

«A escola deveria ser um centro de excelência onde se valorizassem os profissionais pela sua formação e prática quotidiana e onde se implementassem práticas adequadas ao desenvolvimento integral do aluno, devidamente enquadradas em paradigmas teóricos conducentes à motivação pelo aprender, à melhoria dos desempenhos académicos e em última instância à aprendizagem ao longo da vida.

Na realidade, o que se verifica é um desgaste inconsequente por parte dos docentes tentando operacionalizar directivas erráticas, muitas das quais pouco concordantes com a realidade da escola pública moderna.

A prática docente, ao contrário do que seria desejável, está cada vez mais burocratizada, respondendo a exigências de pouca valia, com prazos de consecução sempre diminutos, o que não permite a reflexão e a definição de uma estratégia teórico-prática estruturante, que não se limite a pôr "as coisas a funcionar".

Todas as organizações necessitam de uma identidade própria, motivadora e orientadora das práticas dos diferentes actores. Tal não acontece e assim, continua-se a gerir o dia a dia com maior ou menor sucesso mas, como é óbvio, com mais-valias que ficam muito aquém do que poderia ser alcançado. Em nome da mudança, em nome da definição de um rumo comum, apelo a uma reflexão estratégica que conduza a uma escola melhor, onde professores e alunos se sintam construtores de futuro.»

Esta é a realidade a que estamos sujeitos na actual educação deste país. A pressão efectuada pela Ministra da Educação para se efectuarem as tão faladas avaliações provoca a debandada geral dos professores nas escolas, mesmo com penalizações que podem, eventualmente, rondar os 40% do vencimento do professor na altura da reforma. É este o governo que pretendemos para uma país que pretende elevar-se ao nível da educação do resto da União Europeia? Afinal um professor serve para ensinar ou apenas para ficar enterrado e sacrificar-se a preencher um monte de papéis que de utilidade não tem nenhuma. E depois quem vai ler essas avaliações? E quem vai avaliar os avaliadores? Isto realmente é um ciclo vicioso de custos e poucos proveitos.

Ainda a ministra fala em acordos com os sindicatos... que acordos? Baseados numa negociação em que o governo na pessoa da sua ministra, entra com uma proposta e sai com a mesma proposta, obrigando todos a assinar como se de uma verdadeira negociação se tratasse? Esta senhora tem muito a aprender sobre o que significa negociar. Se ela ao menos trabalhasse no sector privado não resistia tanto tempo com as suas opiniões frias e calculistas.

Para mais informações consultem o blog oficial da luta pelos direitos dos professores: http://www.profblog.org

Opinem e tentem pensar nisto enquanto levam os vossos filhos para a escola e reparem nas caras dos professores e vejam se realmente vale a pena andar a queimar tantas pestanas para depois ser tratado abaixo de cão.

Comentários

Anónimo disse…
Obrigada por tudo MasterJ
Na Finlândia, os professoers têm uma tarde livre para trabalharem em conjunto: planificam, trocam materiais e elaboram recursos didácticos de forma cooperativa. A ênfase está na atitude colaborativa e no apoio aos alunos que estão a ficar para trás. Não há exames nacionais, os resultados das avaliações externas das escolas não são tornados públicos, não há rankings de escolas e um em cada três alunos recebe aulas de apoio. Na Finlândia, os professores são muto bem pagos, a profissão é socialmente muito valorizada, não existe um sistema formal de avaliação de desempenho dos professores, não existe um Ministério da Educação com poderes curriculares e pedagógicos sobre as escolas, o currículo nacional é mínimo, a autonomia das escolas é grande, os planos de estudos incluem menos disciplinas do que em Portugal, o número de aulas por semana é menor e as aulas têm 45 minutos. Como se vê, é tudo ao contrário de Portugal.

Só uma achega á performance destrutiva de um governo inconsequente:
Quem é que Portugal tem copiado? Na avaliação dos professores, Portugal copiou o Chile, Na centralização curricular e pedagógica, inspirou-se na França. Na avaliação externa das escolas, foi buscar o modelo britânico. Ou seja, Portugal tem vindo a copiar os países com piores resultados escolares.
Especialmente quem tem filhos ou netos é bom que faça uma reflecção bem profunda e não se deixem ir por manobras eleitoralistas de baixo nível!
Eu já digo assim: "quando me der uma coisinha má...já sabem, a culpa é da ministra!"
Este é o 26º ano de muitos que foram bons ao serviço da educação, agora de bom não tem nada!
Lili