Portugal... herói ou vilão?

Sempre desejei escrever algumas linhas acerca da minha percepção do que foi a história de Portugal e hoje é que vai ser a doer.

Pois bem, na minha própria análise do que foi a nossa história só tenho a informar uma coisa: somos uns falhados. Pois é verdade... os portugueses sempre foram isso mesmo perante o mundo. Se quiserem verificar isto por vocês próprios relembrem-se de todos os tratados e "feitos" em que interviram portugueses. Falhas de análise, de negociação, de visão, etc, etc. Tudo isso nos trouxe até onde estamos hoje. Um povo "orgulhoso" de não ter orgulho.

Pontos chave desta horda de revezes:
  • Expulsão dos romanos;
  • Expulsão dos árabes;
  • Batalhas entre mãe e filho (Afonso Henriques e sua mãe);
  • Batalhas com os nossos vizinhos espanhóis (se tivessemos sido inteligentes tínhamos ficado quietos);
  • Descobrimentos (esclavagismo, imperialismo, traição e roubo, entre outros "orgulhos" nacionais);
  • Introdução da Inquisição (esta então é mesmo para vocês religiosos que por aí andam... vão-se todos fod"#$% e mais as vossas premissas e bondades);
  • Batalhas com os nossos vizinhos espanhóis (de novo e de novo estoirámos a nossa chance de ter uma sociedade e um país progressista e orgulhoso por definição);
  • Tratado de Tordesilhas (a maior borrada que fizemos, escolhemos o lado errado do mundo);
  • Independência de Espanha (mas ninguém diz a estes tugas para ficarem quietos?);
  • Tratado entre Portugal e Inglaterra (outra roubada das grandes, os ingleses até se riram da nossa incompetência);
  • Fim da monarquia (deixou-se de alimentar um tipo de sanguessugas para virem outros);
  • Ditadura (que mais há a dizer?);
  • Revolução de Abril (acontecimento certo mas com resultados desastrosos a longo prazo);
  • União europeia (outro evento idiota e de muito pouco orgulho para o nosso povo) - Como é que se podem unir povos com tão diferentes raízes... isto não são os Estados Unidos, que possuem raízes comuns).
E isto são apenas os acontecimentos que me lembro assim de repente, pois tenho a certeza que que pelo meio existiram infindáveis situações caricatas em que o "orgulho" lusitano nos tramou em larga escala. Bom mas fiquemos por aqui, para que também não digam que eu apenas ando à procura de falhas na nossa história que justifiquem toda a nossa apetência para o derrotismo e para a incompetência generalizada.
Um grande bem haja para os pacientes leitores de tanto pessimismo... mas como português e orgulhoso de o ser, tenho enraízado o pessimismo e a incompetência, só que tenho andado em tratamentos e ando a ser medicado contra isso. Talvez numa geração qualquer no futuro esse código genético desapareça do nosso DNA sem deixar rasto ou saudade.
Opinem e critiquem-me... digam-me que mais uma vez a minha visão está errada para eu poder refutar e justificar-me. ;-)

Comentários

catarina disse…
Eu sou católica muito obrigada por essas palavras lindas... agora a sério... a Igreja fez muita porcaria há uns tempos. Muita mesmo. Mas se calhar alguma informação antes de escrever o post nao era ma: o Papa João Paulo II pediu desculpa ao mundo por tudo o que a Igreja tinha feito de errado. O fundamental de ser cristão é a fé. Mas isso só sabe quem a tem, ou quem a quer procurar. Parece-me uma pessoa inteligente e tenho pena pela insinuação feita à Igreja. Se tem assim tanta necessidade de deitar abaixo a Igreja é porque sabe o poder que esta tem. É como Nietshe, preocupava-se tanto em arranjar razões para a não existência de Deus que, ao dar tanta importancia ao assunto, mostrava que se precoupava com isso.

"Deus morreu" assinado Nietshe
"Nietshe morreu" assinado Deus


Quem terá razão?
Teresa Coutinho disse…
Pois é, A igreja tem feito muito mal ao longo da história e depois vem alguém mais sensato e pede perdão por tudo o que se fez.

A igreja continua a ter falhas, porque a história repete-se e todos os erros cometidos ao longo dos tempos, estão a passar-se igualmente hoje em dia.

O que está em causa aqui, é a credibilidade que uma organização religiosa tem para influênciar a sociedade, quando à partida sabe que tem telhados de vidro. Não se trata de fé, porque para se ter fé tem de se ter razão em primeiro lugar.
MasterJ disse…
Para a Catarina: não sei quem é, mas tenho uma mensagem para si...

Antes de me meter a escrever algo, já fiz a prospecção mais que suficiente e deitei fora toda a "palha". Sou uma pessoa meticulosa nas análises e geralmente vejo coisas que as outras pessoas deixam passar por diversas razões que não são para aqui chamadas neste momento.

Não me interessa que o anterior papa tenha pedido desculpas por esses erros históricos que geraram tantos assassínios em nome de Deus. As acções ficam com quem as faz, sempre ouvi dizer isso e as acções efectuadas pela igreja católica no passado ficam na história pela hipocrisia com que foram efectuadas.

Para além disso a fé não é exclusiva de nenhuma religião e qualquer pessoa que acredite em algo (projectos de trabalho ou pessoais) consegue manter-se fiel a essa linha para manter a sua estrutura psicológica e/ou profissional. A estrutura da igreja católica é baseada numa mentira que foi considerada absoluta para "colar" uma sociedade moralista e ao mesmo tempo decadente, afastando sempre toda e qualquer ameaça à sua integridade mesmo que duvidosa.

Eu não me preocupo em deitar abaixo a religião católica, isso ela faz muito bem por si própria com todas as trapalhadas em que se mete, mas penso que se a Catarina é católica por conseguir ter fé, então faz mal, pois tenho a certeza que mesmo sendo "religion free" conseguiria ter a mesma fé de que fala e conseguir sobreviver na mesma.
Anónimo disse…
Sr MasterJ!
Parece-me que deveria estudar melhor as lições da vida e da História.
Os cristãos fizeram o que fizeram, a meu vêr, erradamente mas era na altura o que se pensava ser Bom.
Então e as outras religiões actuais?!! São todos santinhos?!
E os que não têm religião?!
E aqueles que dizem não acreditar em nada e quando estão com "eles" entalados sabem gritar "que Deus me ajude".
Quanto á comunidade europeia,diz e muito bem ter países com raízes diferentes, e os EUA?! Por acaso são todos das mesmas raízes?! Ah Ah deixe-me rir, logo os EUA que é apenas o país com mais culturas diferentes do mundo.
Quanto aos outros pontos também não concordo.
Se por acaso tivesse estado em espanha por altura da guerra civil não teria a mesma opinião sobre espanha.
Quanto a mim sou português com muito orgulho. Muito haveria para criticar o nosso país vizinho, mas não o vou fazer pois estou sem tempo.
O estado do país deve-se a uma cambada de politicos da pior estirpe e não da fraqueza ideológica dos portugueses em geral.
Olhe, vim a este blog já nem sei por que caminho, confesso que até estava a ficar interessado nele mas com posts destes depressa perdi o interesse.
Vamos vêr o que virá a seguir.
Cumprimentos.
El Juanito
MasterJ disse…
Pois, caro El Juanito, estou a ver que não entendeu nada do que pretendi dizer neste "post":

1º Todas as religiões erram em muitos dos seus dogmas e atitudes, não centrando a sua objectividade em deixar o ser humano pensar segundo o seu cérebro mas sim sempre tentando "agarrá-lo" através do medo de ser preterido no momento do pretenso julgamento final. Ora para que algo assim aconteça, a pessoa que se deixa influenciar por tais pensamentos, tende a deixar de pensar com clareza e discernimento, de modo a visualizar o que existe para lá da religião onde se meteu. Essa actividade tolda-lhe os movimentos e as ideias de tal modo que deixa de ser humano e torna-se num autómato ao serviço de uma qualquer seita ou religião oficial (seita com mais adoradores que as outras seitas);

2º Quando menciono a UE como exemplo de péssima união de culturas, não me referi aos EUA devido ao facto de os seus "founding fathers" que originalmente embarcaram no "Mayflower" e que obviamente têm um início comum e apesar de tudo e à excepção dos índios "originais" (que até esses nem eram de lá) são um país de emigrantes dê lá por onde der e em que ângulo se vir o problema deles, somando a tudo isso ainda têm o problema de terem uma cultura demasiado recente para se considerarem um povo. O problema da Europa neste âmbito, localiza-se na esmagadora diferença entre europa do norte, central e do sul, onde desde há muitos milhares de anos as culturas se vêm diferenciando originando países que sempre batalharam pelas suas fronteiras (umas vezes avançando e outras recuando). Adicionando mais "ingredientes" nesta salada ainda temos o problema das línguas que diferenciam as culturas. Portanto temos, desde o latim até ao cirílico, um leque muito diferente de linguagens que posso dizer de fonte segura se diferenciam profundamente da realidade dos EUA;

3º Quanto ao facto de me ter criticado pelas opiniões em relação a Espanha, tenho a informá-lo que morei algum tempo no país vizinho estabelecendo relações de amizade com vários tipos de pessoas que me mostraram com clareza a história "de nuestros hermanos". Uma história recheada de sucessos e fracassos como todos as nações, mas com um ponto comum a todos eles: o orgulho de ser espanhol e de saber que um dia as coisas iriam melhorar, pois nenhum ditador ou presidente ou rei corruptos vivem para sempre. A alma do povo espanhol e das suas conquistas ao longo das centenas de anos da sua existência, persiste e nunca é quebrada. Pode dobrar e muito mas nunca partir. Foi o que aconteceu durante a ditadura de Franco. Actualmente e apesar da crise instalada os nossos vizinhos continuam a acreditar que vão sobreviver a tudo e com uma confiança muito auto-alimentada pela perspectiva de serem sempre um país de referência a todos os níveis. Fazendo a transposição para a realidade portuguesa, o que temos de comum com eles? Bom à parte de muitas das nossas empresas já pertencerem a grupos espanhóis e uma grande parte dos produtos que aqui são vendidos serem os mesmos que existem do outro lado da fronteira, tudo o resto é, nada. Nem economia, nem PIB, nem riqueza "per-capita", nem cultura, nem atitude, nem sonhos, nem governo, nem perspectivas para o futuro... somos um barco à deriva desde há muitos anos. Só se fala de crise e desde que me entendo como pessoa, que se fala de crise e de mais crises em cima de mais crises e daqui não passamos. Porquê não fazer como no futebol e começar a contratar gestores estrangeiros para dar uma "ajudinha" nas "nossas crises vitalícias" a ver se fazem melhor que a "nata" da política nacional? Já estou por tudo. Que se lixe o orgulho e nacionalismo português, quero é ter um futuro para mim e para os meus filhos seja como português ou como ibérico (se for esse o sacrifício que é necessário fazer para nos endireitarmos).

4º Pois se perdeu o interesse tenho muita pena que isso aconteça pois gostaria de poder discutir mais uns pontos interessantes consigo talvez no meu fórum (http://polemicasincomodas.omeuforum.net) mais destinado a estas questões e com maior interactividade entre os utilizadores. Sugiro que se registe grátis e que nos encontremos por lá para iluminar ideias. Estendo este convite a todos os outros leitores deste blog, pois só deste modo podemos interagir e estender os nossos argumentos e opiniões.

Obrigado pelo interesse e pela sua visita "El Juanito".