Pranchinhas ao fundo...

Um destes dias fui ver um campeonato de surf feminino pois já há muito que não assistia a nenhum ao vivo, talvez mesmo há uns valentes anos.

Lembro-me que na altura em que assisti ao último a partir da areia fiquei com a clara sensação de que os patrocinadores das meninas ou eram masoquistas, cegos ou gente que tem muito dinheiro para esbanjar. A nossa melhor surfista na altura, a "famosa" Patrícia Lopes, fazia doer-me a alma só de a ver a tentar ajeitar-se às ondas e tinha a clara sensação de que não conseguia mexer-se das ancas para baixo ou pelos menos tinha imensa dificuldade em fazê-lo e com isso o seu estilo era dos mais feios que alguma vez vi numa menina dentro de água. No entanto, a pose e a sobranceria fora de água dava para encher diversos balões de ar quente:-)

Lembro-me, igualmente, de uma viagem à Austrália onde ela foi competir no circuito feminino e coberta pelo programa de então o "Portugal Radical", para quem deu uma entrevista onde dizia que tinha feito o melhor dela na competição. mas viu-se que o melhor dela (leia-se do surf feminino português da altura) não era mais que algo distorcido da realidade deste desporto na Aussie Land (Austrália), mesmo para as meninas de todo o mundo que competiam nesse campeonato. A Patrícia ficou pelo caminho logo no primeiro ou no segundo "heat".

O nível de surf das meninas na altura estava claramente muito mau: a esmagadora maioria arrastava-se dentro de água e o resto não fazia mais que boiar ou levantar-se da prancha e cair. Até me lembro de perguntar a um dos organizadores se este era um campeonato a sério ou seria apenas uma área recreativa para principiantes da modalidade, ao que me foi respondido que realmente só se faziam aquelas "mostras" por exigência dos patrocinadores e quiçá alimentar o ego das "competidoras" pois qualidade era algo que não imperava por ali.

Anos mais tarde fui, como disse atrás, ver outro campeonato com uma nova geração e com esperança de ver o que as novas competidoras fariam com mais e melhores condições.

Bom o que vi, para além de uma estrutura bem montada, foi exactamente a mesma nulidade de actuações que vi cerca de 12 anos antes. Tudo me parecia ter um ar circence e mais uma vez o esbanjamento de dinheiro estava reflectido em todas as paredes, todas as caras, pranchas, atitudes, etc.

Imediatamente fiz o paralelismo com a etapa feminina do circuito mundial em Peniche este ano e digo-vos em abono da verdade que ainda temos muito caminho a percorrer antes de alguma vez nos podermos mostrar ao mundo no campo do surf feminino.

Adivinho já uma chuva de críticas que vão cair sobre mim lembrando-me a falta de apoios, etc, etc. No entanto gostaria de lembrar essas pessoas que me irão concerteza criticar, que no surf, tal como na vida, a prática de algo tem mais a ver com atitude do que com os tais apoios que constantemente se reclamam. Não preciso de lembrar alguns nomes conhecidos do surf feminino que com grandes sacrifícios singraram no circuito mundial e um dos que mais respeito é o nome de Lisa Anderson, uma americana da Flórida que com apenas 16 anos fugiu de casa para se tornar a mais conhecida campeã feminina desta modalidade.

Esta atleta originária da mesma praia que produziu surfistas do calibre de Kelly Slater, Cocoa Beach na Flórida, apenas necessitou da ajuda dos amigos e de uma prancha para competir taco a taco com os homens nos campeonatos locais por não ter rivalidade na classe das meninas. Desse modo o seu nível subiu tanto que no circuito mundial continuou a não ter rivalidade e venceu várias vezes por grande vantagem em relação às suas adversárias.

Por isto e por mais coisas que estão sempre agregadas a estes assuntos da competição, eu continuo a afirmar que se eu fosse patrocinador jamais entregaria fosse o que fosse a alguma das nossas "atletas" sem que mostrassem que realmente mereciam o meu dinheiro pela coragem, estilo, ambição e progressão na carreira.

No entanto, actualmente, vê-se, salvo raras excepções contadas pelos dedos de uma mão, que continua a não existir qualquer nível de qualidade mínima para ascenderem ao pódio internacional. Não queria também, no entanto, deixar de glorificar as meninas pela coragem que demonstram em meter-se em mares que visivelmente são demasiado fortes para as suas fisionomias.

Comentem estas questões e deixem-me saber da vossa opinião acerca destes assuntos.

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