Consensos enervantes...

A palavra "consenso" quando ouvida em contexto político enerva-me, agita-me e desilude-me. Um consenso fica bem numa negociação, no seio familiar, em ambiente empresarial... mas não em política. Se neste ambiente existirem consensos, já não fazemos ideia em que ideias devemos apoiar as nossas decisões eleitorais.

Um partido que depois de eleito entra em consenso com outro ou outros que não o foram, está a diluir e a trair os seus votantes de base que lhe deram a sua confiança porque acreditaram no programa eleitoral e no sentido de ideologia que apresentaram durante a campanha que fizeram antes do sufrágio.

Pessoalmente estou farto de consensos. Foi debaixo dessa hégide que chegámos ao estado de coisas em que estamos metidos actualmente. Nunca nenhuma força política quebra o ciclo vicioso que vem sendo estabelecido nos últimos 35 anos. A palavra de ordem é eleger uma força política (seja ela qual for) e depois das eleições os "jogadores" assumem os seus papéis em cada um dos lados do tabuleiro de jogo.

E é isso... nada mais que isto. Uma alternância de poder que ao procurar "consensualmente" o consenso, rapidamente chega à conclusão que não existe nada a fazer a não ser tramar o mais baixo elo da democracia: o mais comum dos cidadãos. E esse mais baixo ele vê cada vez mais o seu lugar na sociedade, desvalorizado e descaracterizado, relegando-o apenas a ideia de ser um fardo para a economia e para o desenvolvimento do país.

Mas aí é que as forças em consenso se enganam: sem cidadãos não existe objectivo para consensualidades e por essa razão, os entendimentos entre as forças do círculo do poder não são de todo aconselháveis. Estas "cooperações" extra-eleições, descaracterizam e mutilam quem escolheu o partido A, B ou C como legítimo para representar os cidadãos X, Y, ou Z na Assembleia da República e através deles decidir sobre os destinos do país.

Queremos e gostamos de conflitualidades e quando "contratamos" os nossos políticos "predilectos" esperam que eles nos defendam com sangue, suor e lágrimas, se for necessário, porque os interesses do povo português estão acima dos interesses e consensos das forças em conflito. Não queremos cá a colocar "água na fervura" mas sim grandes homens com atitudes de estadistas e dignos de levar uma multidão não "comprada" pela máquina partidária, atrás deles só pelo facto de ser um grande líder e ser alguém com reputação de coragem e determinação em prol do povo português.

Discutamos o que pensam acerca desta matéria e se concordam ou não com o meu ponto de vista.

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