Ditaduras com sentido...

"O que não nos pertence, não queremos... mas o que é nosso, jamais o entregaremos!"

Afirmação atribuida ao ditador Josip Broz Tito que governava a Jugoslávia no tempo em que era um país federalista. Está inscrita na porta principal da linda cidade de Kotor no Montenegro, território que durante a Guerra dos Balcãs se separou e recuperou o nome original anterior ao federalismo daquela área da Europa.

Esta frase tão recheada de sentimentos nacionalistas, deveria servir de inspiração aos nossos governantes quando em frente aos seus pares europeus, decidem hipotecar os destinos dos seus compatriotas e da sua terra e respectivas riquezas, durante diversas gerações.

Tito foi um herói para muitos dos governantes que com ele conviveram durante os anos pós nazismo e durante a Guerra-Fria entre o Bloco do Leste e a Aliança Atlântica, mais conhecida como NATO (OTAN em inglês), mantendo a unidade daquele território com punho-de-ferro e desse modo absorveu para a História, o título de ditador. Apesar de tudo, podemos ter a certeza de uma coisa: amava o seu país com uma enorme capacidade de lutar por ele e é dessa caraterística que devemos ter mais inveja.

Atitudes destas já não as temos desde o início dos "ajustamentos" europeus da Revolução de Abril. Para trás temos o fantasma de Salazar sempre omnipresente durante a pré-revolução, durante e imeditamente depois da revolução. Não nos podemos alienar do benefício que, apesar de toda a repressão ditatorial exercida pela PIDE nos tempos salazaristas, economicamente o país obteve pela política repressiva nos gastos públicos e pela ausência de demasiados gastos superfúlos nesses tempos.

Deixaram-nos os cofres cheios mas a que preço, dizem uns. Era um preço a pagar pela estabilidade do país, dizem outros. Eu digo... a revolução haveria de aparecer um dia. Violenta ou suave, a transição teria de ser feita mais tarde ou mais cedo. Só deveríamos era ter preservado o que era nosso e valorizá-lo fortemente em detrimento do que é estrangeiro.

Vamos discutir um pouco à volta disto e abrir mais alguns horizontes?

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