Emma Goldman...

"Numa sociedade sustentada pela mentira, qualquer expressão de verdade é vista como loucura", Emma Goldman, Anarquista Russa.

Absorvendo o significado desta frase e elaborando uma pequena dissertação baseada no conceito exposto por esta grande e odiada senhora, sinto-me ao mesmo tempo radiante e triste.

Radiante porque de quando em vez descubro personalidades ou lugares que significaram algo para a causa do livre pensamento e que, de facto, foram mártires na luta pelo disseminar do conhecimento humano e pelos direitos e condições de vida de vastas populações na sua querela constante contra a tirania dos poderes instituídos.

Triste porque, tal como ela, sinto-me amarrado de pés e mãos quando se trata de conhecer, saber, verificar e acima de tudo descobrir factos referentes às grandes questões que me assolam a mente diariamente.

Os poderes instituídos não nos querem inteligentes (ficamos inconvenientes e descontrolados) e uma pessoa inteligente constitui um perigo iminente para quem detém o poder e o controla despotamente sem piedade. Um ser inteligente é mais estúpido que um ser esperto. Os espertos agacham-se, esquivam-se e fogem aos ataques de modo a permanecerem vivos e de boa saúde... já os inteligentes enfrentam dificuldades, adversidades, obrigatoriedades e barreiras de todo o tipo. Muitos ficam pelo caminho, caídos, fruto dos poderes que lhes retiram estabilidade e sustentabilidade. Os que ficam, rendem-se ao abandono das suas vidas e dedicados a causas que mais tarde ou mais cedo lhes minam definitivamente a existência e os deixam ocos e sem qualquer legitimidade.

A luta desta senhora pela anarquia e pela liberdade de expressão foi tão devastadora que foi apelidada de "mulher mais perigosa da América" e isso destruiu praticamente a sua vida numa altura em que a luta pessoal importava e arrastava multidões com consequências reais que podiam ir desde a prisão à morte de quem enveredasse por esse modo de ajudar os demais.

Na maior parte das fotos que existem de Emma, aparece uma pessoa sisuda e de expressão grave. Fruto de muitos anos e experiências traumáticas, a sua face reflecte o que a sociedade da época, em constante convulsão, ditava como correcto e incentivava toda a população a seguir. Emma não era de todo uma seguidora. Era sim uma líder que apenas descobriu esse seu dom depois de sofrer diversos revezes que se iniciaram na sua vida ainda com menos de 8 anos.

É portanto uma mulher a reverenciar por tudo o que ela contribuiu para a causa dos "livres" e das causas fracturantes da sociedade em que estava inserida que são ainda actualmente causas que produzem discussões apaixonadas e divergentes.

Portanto, a minha singela homenagem a esta senhora com mais coragem que muitos homens que actualmente conheço.

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