Faz o que amas e ama o que fazes...

Longe vão os tempos em que pensava que o surf, e os desportos de aventura em geral, seriam uma grande parte da minha vida e por isso não me lembro de me preocupar muito com o facto de um dia poder vir a pensar ou a fazer algo diferente por força das circunstâncias.

No momento em que escrevo estas linhas, estou fora de água há cerca de 6 longos meses devido ao nascimento do meu primeiro filho e devido à falta de tempo e disposição que esse facto transporta na sua essência. Só me lembro de estar assim tanto tempo fora de água aquando da proibição que um médico ortopedista me impôs depois de ver um T.A.C. à minha coluna e verificar que as minhas dores de costas eram muito reais e dolorosas e tentou com isso evitar uma operação com poucas chances de cura definitiva.

Não é apenas o facto do pequeno David ter nascido que me retira muita da disposição para ir surfar ou fazer outras coisas que me davam bastante prazer fazer, também o facto das questões profissionais e outras questões pessoais se terem interposto, fizeram com que tudo somado, a perspectiva de um dia voltar a descer uma onda está cada vez mais longe do meu horizonte.

Isto deixa-me triste, muito triste mesmo ao ponto de ver o futuro como uma página em branco e como algo a ser reescrito dia-após-dia. O cansaço diário é definitivamente o maior dos entraves e o facto de tanto os meus pais como os da minha companheira estarem longe e não poderem participar activamente no crescimento do neto, afecta sobejamente o nosso dia-a-dia, que se vai fazendo entre o bebé, o trabalho e a sobrevivência.

Hoje comemos pior do que antes porque não temos muito tempo para fazer comida sequer. Como não temos dinheiro para empregadas nem sequer para manter a casa limpa, tentamos revezar-nos em busca de um equilíbrio que não existe nem sei se alguma vez irá existir daqui para a frente. Todos os dias são uma aventura e as noites um pesadelo do qual nunca sabemos se conseguiremos acordar a tempo para ir trabalhar.

Continuo a amar o que faço profissionalmente e amar ainda mais este pequeno ser que depende de nós para sobreviver, mas sinto tanta nostalgia dos tempos em que podíamos sair estrada fora sem as preocupações reais que existem actualmente, que muitas vezes forçamos esses pensamentos rebeldes a não entrarem na fila de espera das nossas mentes.

Quantos de vocês amam o que fazem e fazem o que amam? Quantos de vocês serão realmente realizados com a profissão ou vida que escolheram? Vamos discutir o assunto?

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