Knowing is suffering (Saber é sofrer)...

Knowing is suffering (Saber é sofrer)...

Este ditado passa-me tantas vezes pela mente que a torna mais parecida com um cruzamento de uma grande cidade em hora de ponta. Sim é verdade, o meu cérebro lê e relê vezes sem conta as situações que se afiguram à frente das suas janelas para o mundo: os olhos. Tenta adivinhar e verificar passos já dados e ainda por dar, na vã sensação de que algo ainda existe por fazer ou deverá ser feito para que as teorias que desenvolvo possam correr bem.

Cá dentro, sempre que espero desesperadamente por alguma nova decisão, nova situação, nova ideia ou nova posição, sofro como nunca sofri. Sofro pela antecipação constante das situações que desenho na minha mente. Sofro porque não sei e porque o conhecimento que possuo não chega para explicar as diversas situações que teorizo... cá dentro.

Dentro desta mente é um mundo muito barulhento que tento a todo o custo calar para que não me faça resvalar para problemas reais. Muitas, tantas, demais... vezes isso acontece. A ânsia de fazer mais e melhor, de ser mais conhecido e mais destacado dos demais, torna-me fraco aos olhos de quem possui mais que eu. Não em termos de bens materiais mas sim mais conhecimento, mais visão e mais abrangência de atitudes. Quero ser assim mas já não tenho idade para almejar tais estados de mente.

Falta-me formação, muita formação, muita preparação que em tempo adequado não tive. Por isso tenho andado pela vida aos trambolhões e sempre com "bengalas" e o esforço que despendo em todo o processo de sobrevivência é tão grande que chega a ser extenuante levando a que a minha energia interna fique em níveis negativos durante largos momentos.

Estou num desses momentos. Sinto muito barulho dentro desta minha mente. Vozes e situações de ontem, de um distante passado, ribombam em cada segundo e em cada neurónio e sinapse essas memórias longínquas tornam-se vívidas e claras como uma luz forte que me ilumina diariamente. Gosto de mim assim, mas sei demais para ser apenas feliz. É um contrasenso dizer que sei demais, mas reconheço que podia saber menos de certos assuntos e mais de outros mas as vivências e os "amigos" do passado orientaram as nossas memórias e conteúdos de um modo que não se enquadram com o conceito de normalidade em que vivemos actualmente.

A minha normalidade do passado é a anormalidade do presente. O que presenciei e o que sei tornam-se indesejáveis perante tudo o que poderá vir a acontecer na minha vida. Não queria este conhecimento mas também não queria possuir uma mente assim, no entanto tem mais vantagens do que desvantagens. Permite tanta abertura para absorver conhecimento que este espaço ocupado entre as minhas orelhas também por vezes dói devido ao fluxo de informação que tenta reter e descartar em cada segundo que passa.

Se me decidisse, um dia, por não querer saber... acho que definhava e morria. Morria porque simplesmente a minha natureza não me fez os neurónios para serem preguiçosos mas sim para pensar e com grandes certezas, escrever sobre os mais diversos assuntos. Por falar em escrever, esta é o único modo em que sinto que os meus pensamentos fluem como uma "cascata infindável". As ideias perfilam-se como se de uma fila indiana se tratasse.

Que tipo de felicidade nos traz o facto de querermos saber cada vez mais sobre cada vez mais matérias? No meu caso sinto que a felicidade é um conceito que sempre será inatingível devido à própria utopia em que se baseia. Jamais podemos ser verdadeiramente felizes porque não é algo tangível. Os momentos de felicidade que sentímos são apenas temporários até nos aparecer uma nova ambição, um novo sonho, uma nova missão. Depois partimos para outros níveis de felicidade.

Quem me dera, ao mesmo tempo ser um tolinho que ri porque não sabe nada do mundo e sofrer mais porque sei de tudo e de todos os pormenores desde a mais básica física nuclear até aos mais belos mistérios do universo. Pelo meio... sofro... porque não sou nem uma coisa nem outra. Sou um produto inacabado e "mal-amanhado" que vai tentando sobreviver apoiando-se, aqui e ali, em pessoas e em situações que entende estarem ao seu alcance e domínio.

Preciso ser mais para que os meus descendentes me olhem não como uma fraude mas como um exemplo a seguir ou pelo menos como alguém que batalhou para que a vida se tornasse mais acessível e menos onerosa... mas estou a perder este combate. Está tudo a tornar-se demasiado difícil e tenho cada vez menos tempo para acompanhar a quantidade de conhecimentos necessários para me manter "à tona de água". O mundo não pára para eu conseguir pôr-me a par de tudo e por isso ando sempre a tentar apanhar um comboio que há muito partiu da minha estação. Como diz, e bem, um enorme amigo meu: É a vida de um gajo :)

Obrigado a todos os que tiveram a paciência de ler isto até ao fim e obrigado acima de tudo a todas as pessoas que me permitiram que fosse o que sou hoje. Bem ou mal hei-de lá chegar e repousar em cima de todas as contingências. Aloha e Namaste para todos :)

Comentários

Joana Cardoso disse…
Eu costumo dizer muitas vezes que só os burros podem ser felizes. Os inteligentes nunca conseguem porque serão sempre insatisfeitos...