Microsoft integra Nokia...

O título correcto deveria ser: Microsoft canibaliza os últimos cartuchos da defunta Nokia. No entanto este título era demasiado comprido para ser isso mesmo... um título. Nesse sentido tive de o encurtar e dar-me um ar mais politicamente correcto e ajustado.

É verdade, na última semana a Microsoft anunciou que finalizou os últimos processos de integração da Nokia na sua estrutura. Isso trouxe-me lembranças de quando a Nokia era ela própria uma gigante que sustentava milhares de funcionários e produzia telefones fantásticos com um sistema operativo que, ele próprio, tinha sido a grande bandeira da empresa durante anos e que se pensava que iria durar para sempre... mas não.

A poderosa e sempre invejosa Microsoft tinha de vir estragar a festa e retirar o "ganha-pão" e prestígio aos finlandeses que tanto esforço colocaram na construção e no desenvolvimento de uma marca que era um desígnio nacional e um orgulho para esse povo tão ao norte da Europa.

Dos laboratórios da Nokia (agora totalmente descaracterizada) vieram autênticas jóias das telecomunicações como os famosos 1310 ou o 6300 ou tantos outros que não me recordo agora mas que marcaram a história das comunicações móveis durante anos e que muitas unidades ainda se encontram em serviço nas mãos de trabalhadores da construção civil ou mesmo de muita gente em países do chamado 3º mundo. São telefones robustos e muito duráveis se bem que não possuem as últimas tecnologias que esgotam as baterias dos equipamentos mais recentes em menos de 1 dia.

A Nokia encontrava-se em rota descendente desde o primeiro trimestre de 2010 muito por culpa das suas atitudes perante os clientes e pela demora na disseminação de actualizações para os equipamentos que vendia. Chegavam a passar-se mais de 10 meses sem existir qualquer sinal da empresa no que concerne à actualização do sistema operativo que era a sua "jóia da coroa": o Symbian.

Os clientes que adquiriam os seus telefones esperavam e desesperavam pela correcção dos diversos "bugs" que se iam registando e viam que o seu investimento nos equipamentos Nokia não tinham o retorno devido e por isso começaram a sair para outras marcas nomeadamente Apple, Android e BlackBerry.

No fim de 2010 já a marca tinha tido uma quebra de "share" de mercado de cerca de 25% e continuava na sua curva descendente. Em vez de reagir do modo que os seus fãs exigiam fez algo que todos nós que sentíamos uma adoração especial pela marca não gostámos de todo: pediu ajuda à Microsoft. Nesse mesmo dia as acções da Nokia em bolsa caíram mais de 60% para nunca mais recuperarem os níveis de 2010.

A ajuda monetária da Microsoft foi considerável: $1.000.000.000,00. Junto com esse valor vinham uma quantidade de exigências que adivinhavam o desmembramento da gigante finlandesa e também a integração do elo mais destrutivo que alguma vez a Nokia teve dentro de portas: Stephen Elop. Com esta "machadada" a sorte da Nokia estava ditada e nesse momento todos os que tinham a Nokia no seu coração, debandaram sentindo-se traídos e a odiar toda e qualquer actividade, por melhor que fosse, vinda da união Microsoft-Nokia.

Sei do que falo porque eu próprio me senti desse modo e mantenho a sensação de ter sido traído e voltado ao abandono pela empresa que fabricava os meus telefones preferidos. O último que adquiri, o N8, tinha o potencial de ser o melhor telefone alguma vez construído pela marca filandesa, no entanto vinha pejado de vários defeitos que, acredito actualmente, tinham a ver com os momentos de agonia financeira da Nokia nessa época. Foi um equipamento que tive de trocar por duas vezes devido a bloqueamentos a vários níveis e problemas no WiFi que nunca se sabia se estava a funcionar ou não.

Ao fim desta agonia de quatro longos anos, chega ao fim a fusão entre as duas empresas mas com um altíssimo preço de desemprego, perda de instalações, perda de prestígio, perda de mercado para outras marcas e plataformas e acima de tudo perda do orgulho nacional finlandês na marca que com tanto carinho viram nascer.

Não são os telefones com o vistoso e colorido Windows Phone 8 que me irão atrair ou mesmo a outros, de volta para a marca. A sensação de dispersão continua nos nossos corações e a percentagem de mercado conquistado com os novos terminais denota isso mesmo: dispersão e afastamento. Já a Microsoft enterrou muitos milhões de dólares neste investimento sem ver o seu retorno nos próximos anos, uma vez que a concorrência, que a gigante de Redmond, pensava que ficaria de braços cruzados a observá-los, foi desenvolvendo novas versões do Android, iOS e em cada vez menor escala, Blackberry.

A cada versão de Windows Phone que aparece no mercado corresponde imensos outros melhoramentos que a comunidade do mercado fechado do iOS e do mercado aberto do Android vão efectuando nos respectivos sistemas operativos móveis. Ninguém fica à espera da Microsoft até que ela fique ao nível dos demais. A "guerra" onde se lançou está perdida à partida como sempre esteve perdida a "guerra" do "browser" Internet Explorer quando ele foi lançado muitos anos atrás.

Dá-me a sensação que a grande Microsoft anda sempre atrás do prejuízo e nunca à frente dele. Noutros tempos e com outra liderança as coisas até funcionavam em maior coordenação, mas actualmente a fragmentação que teve a ideia de liderar, está a sair-lhe muito cara e com muitas vozes críticas dentro da própria Microsoft a tentar corrigir muitas situações que se julgavam correctas e de "pedra-e-cal".

Nos próximos tempos vamos monitorizando as novidades desta fusão assim como as novidades que resultarão das alterações internas devido aos problemas causados através no novíssimo Windows 8 no mercado de "desktops", portáteis e tablets.




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