O ópio do povo...

Sentado no meu sofá ouço o ribombar de foguetes lançados em comemoração pela vitória do Sport Lisboa e Benfica no campeonato nacional de 2013/2014. Por todas as televisões vejo caras e discursos inchados de orgulho e de pseudo-importância acerca de um evento que se repete todos os anos variando apenas o clube que ganha esta competição.

Em nenhuma altura da minha vida entendi qua a importância das pessoas se dedicarem tanto a um "desporto" ao qual se atribui mais importância do que às suas próprias vidas. É um nível de atenção totalmente idiota, especialmente porque nada do que o clube irá ganhar reverterá para os seus adeptos. É simplesmente algo platónico e pelo qual adeptos se matam uns aos outros e pelo qual gente perde a liberdade e o juízo quando envolvidos em conflitos insuflados por um sentimento de pertença e de "amor" ao clube.

Nunca entendi esse "amor", essa dedicação e essa loucura. Nem sequer são desportistas do próprio clube ou tiveram a experiência de pisarem um estádio ou mesmo um relvado em representação do clube do seu "coração". Que substância existirá dentro destas mentes e desta relação que transforma pessoas inteligentes e vegetais a babarem-se por uma actividade que de desporto já quase não tem nada.

O futebol já deixou há muito de ser um desporto para ser uma batalha de vida-ou-morte entre duas equipas que se degladiam pela posse de um troféu que tem uma data de validade. A rixa constante entre cores e a força que o poder político coloca na distracção do povo com este tipo de competições, deixa que as pressões sociais associadas às políticas que o executivo planeia e implementa anualmente, sejam deixadas nos estádios em vez de serem evadidas através de manifestações contra o que o governo entende ser o melhor caminho para o país debaixo do poder da Troika composta pelo Banco Central Europeu, F.M.I e União Europeia.

As pessoas que se deixam envolver nesta "rede" de cores nunca imaginam que a verdadeira batalha está a ser fomentada por forças exteriores ao desporto e, obviamente, quem se deixa minar por este "ópio" nunca mais consegue discernir os assuntos devidamente e a sua importância relativa por criar nas suas mentes um bairrismo que os irá acompanhar pela vida fora.

Nunca me vi "capaz" de me envolver por estas armadilhas planeadas e por isso considero que todos os que conseguirem livrar a mente nestas alturas de jogos "decisivos", poderão um dia almejar a livrarem-se de vez de pertencer a um clã que não beneficia em nada as suas vidas e a sua sanidade mental.

Vamos discutir este assunto e digam-me o que sentem quando o "vosso" clube ganha ou perde. Deixem-me perceber o que se passa nesse vosso cérebro quando confrontado com uma droga tão poderosa como é o futebol.

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