Windows XPerience reformado...

Está nas bocas do mundo a "reforma" para onde a Microsoft enviou o Windows XP (na altura do lançamento conhecido como XPerience). Quer isto dizer que este produto da Microsoft com cerca de 12 anos teve o seu suporte a "bugs" e a actualizações de segurança, revogado definitivamente para o mercado global (à excepção de alguns governos muito abastados que pagaram muitos milhões de Euros convertidos em Dólares para que o suporte fosse ainda considerado durante o próximo ano).

As consequências directas desta medida, apesar de confusas para a maioria da população e também para alguns "profissionais pára-quedistas" do sector, irão notar-se nas próximas semanas com a sensação de insegurança que se instalou nos gestores de redes e utilizadores não sabendo exactamente quais as repercussões a médio prazo da não migração das estruturas para um Windows mais recente (Windows 7 ou Windows 8/8.1).

Agarrando nesta insegurança e explorando-a sobejamente vamos extrapolar o que pode acontecer em 3 cenários relativamente básicos (existem muitos outros mas vamos considerar apenas estes para efeitos de estudo):
  • Cenário 1: um PC doméstico com o Windows XP Home Edition, com o Office 2003, com antivírus gratuito Microsoft Security Essentials e cujo "hardware" também ele está ultrapassado há cerca de 6 ou 7 anos com uma actividade ocasional na Internet e com maior intensidade na utilização de jogos;
  • Cenário 2: um PC doméstico com o Windows XP Home Edition, com o Office 2003, com antivírus gratuito Microsoft Security Essentials e cujo "hardware" também ele está ultrapassado há cerca de 6 ou 7 anos com uma forte actividade nas redes sociais da Internet e com alguma intensidade na utilização de jogos sediados nessas redes;
  • Cenário 3:  um PC empresarial com Windows XP Professional, Office 2003 Professional, com antivírus gratuito Microsoft Security Essentials e cujo "hardware" também ele está ultrapassado há cerca de 6 ou 7 anos com uma forte actividade na Internet (emails e visita a páginas web de entidades oficiais) e com maior intensidade na produção de trabalho de escritório (ofícios, relatórios, PDF's com catálogos, etc.).
No Cenário 1 a focalização seria mais numa utilização "off-line" e menos na circulação pela Internet em busca de informação. Neste caso a migração para uma solução com um Windows mais recente não faz muito sentido uma vez que os jogos são a razão para a existência desta máquina, no entanto aconselha-se que se faça a migração devido à idade da máquina e do seu tempo de utilização e consequente desgaste dos componentes mecânicos (discos rígidos, gravadores de DVD, teclado, rato e outros) se forem utilizados com bastante intensidade.

No Cenário 2 a focalização é na utilização de redes sociais e claro em modo "on-line". Sabemos que as redes sociais são um enorme foco de código maligno pronto a infectar sistemas operativos que não estejam prontos a defender-se por via das actualizações de segurança tradicionais e das correcções de "bugs" deixados pelos programadores aquando da construção do código interno do sistema operativo. Neste caso, aconselha-se vivamente a actualização para uma versão mais recente do Windows, seja ela o Windows 7 ou Windows 8.1 pois para além de possuírem manutenção até daqui a muitos anos, também possuem mais facilidade em obter assistência na actualidade. Para além disto estar a actualizar uma máquina com diversos anos de existência e já desgastada em termos mecânicos, é atirar dinheiro à rua na actualização de um sistema operativo, pois um dia a máquina avaria e a licença do sistema operativo que se adquire é apenas um "Upgrade" e quando o PC voltar reparado (se forem questões de disco rígido) não possuímos (tanta vez que isto acontece) o Windows original para o "Upgrade" pegar nele.

No Cenário 3 a focalização é no trabalho intensivo numa empresa e devido a isso, a visita a sites oficiais ou a busca de informação via Internet é frequente durante o dia. Sabemos que os sites oficiais são frequentemente objecto de "ataques" de "hackers" e de "SPAM" de anúncios e em cada uma dessas acções existe por trás uma intenção de sonegar a informação do utilizador (utilizadores e palavras-passe de sites vitais para o negócio e "home-banking") de maneira que a actualização do sistema operativo é de vital importância para a vida de um PC num cenário onde se desenvolve uma actividade comercial. A mesma necessidade de actualizações se passa como no Cenário 2 com a agravante que a informação que poderá ser roubada pertence a uma empresa que paga vencimentos, impostos e Segurança Social (alvo mais que apetecível para elementos que têm como actividade tudo o que seja ilícito, a espionagem industrial e o "mercado-negro").

Tanto nos cenários 2 e 3 podemos aplicar a metáfora do "leite fora de prazo". Para os que não entendem ou não querem entender o que quero dizer com isto, leiam o que vem a seguir: imaginem que têm uma garrafa de leite fora do prazo mas que passou apenas um dia desde que ele ultrapassou a data. Bebê-lo no dia logo a seguir não faz mal nenhum... mas se o beber daqui a uma semana ou mesmo um mês depois, o resultado já será totalmente diferente. É o que se passa neste momento com quem ainda possui o Windows XP (Home ou Professional Editions). Mesmo com um óptimo antivírus, inicialmente as coisas poderão ser amenizadas, mas a breve trecho e devido aos "buracos" de segurança que todos os dias se vão descobrindo nos sistemas operativos, eventualmente estaremos a tapar o "sol com uma peneira". Nem mesmo com um bom motor de descoberta de vírus ou falhas novas nem com as bases de dados de vírus ou de códigos malignos actualizada, a situação fica a salvo. De que nos serve encontrar os códigos malignos antes de eles entrarem no PC se continuam abertas as "fraquezas" que eles tencionam explorar?

No momento em que escrevo estas linhas, milhões de computadores por todo o mundo, desde máquinas que controlam 95% dos "multibancos" mundiais, que controlam matrizes eléctricas que gerem as redes eléctricas de todas as cidades do mundo, semáforos, saúde, etc. ficarão dentro de poucas semanas à mercê dos piores ataques de "hackers" e sem tempo para as actualizar devidamente ou serem substituídas, o risco de grandes "azares" acontecerem é bastante grande.

Quando pensamos que somos apenas nós que temos pouca sorte porque não temos dinheiro para investimentos agora no momento ou porque a Microsoft está apenas a fazer birra e a desistir do suporte, há que alertar que o Windows XP tem 12 anos e que as máquinas onde ele geralmente corre têm igualmente entre 6 e 12 anos. Um sistema operativo com esta idade, por mais que se pretenda e corrija, jamais trará algo de novo ou algo de seguro a longo trecho. Por isso sejamos sensatos e tentemos arranjar algum dinheiro para substituir o "hardware" e um novo Windows e um novo Office já virão com ele (se houver dinheiro para o efeito).

Coloquem aqui as vossas opiniões e visões sobre este assunto e vamos discutir as várias vias para sair desta situação.

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