Erotismo verbal...

"Não há nada de mais erótico do que uma boa conversa". Esta é uma frase que esconde muito do que entendo por questões sexuais. Uma boa conversa leva a tantos temas e permite derivar por tantas áreas que uma vez a conversa iniciada jamais o fim se vislumbra e pode estender-se por dias seguidos sem se perderem os assuntos de interesse.

Os mecanismos cerebrais que levam a que uma conversa se inicie são despoletados por uma diversidade de sugestões que podem ir desde uma observação, uma simples troca de palavras, uma ideia que se tem das pessoas, um interesse em comum, uma conversa circunstancial, uma atracção por alguma parte ou partes físicas da pessoa, um texto escrito numa rede social, uma troca de olhares ou apenas e somente estar no sítio certo na hora certa.

Assim que alguma ou algumas destas sugestões se verifica, o nosso cérebro inicia uma série de fantasias sobre como será possível a aproximação mais conveniente à pessoa ou pessoas pretendidas e como será a resposta às suas investidas. Desses mecanismos de escolha da conversa mais adequada resulta a capacidade de investir mais tempo na aproximação ou se será apenas circunstancial. Uma vez que as partes já se entendem, a conversa flui naturalmente e os temas vão sendo expostos e concordando-se ou não se concordando com eles, o tempo vai voar em torno de argumentações e vontades que invariavelmente nos irão aproximar ou afastar dessa ou dessas pessoas.

Uma vez que os argumentos de cada lado se esgrimam em consonância com o que está estabelecido na mente de cada um, segue-se o resvalamento para questões mais pessoais ou de cariz mais íntimo. Esse sentido irá quase sempre estacionar na parte mais sexual e desse modo, e com as pessoas já à vontade, a questão será profusamente explorada de acordo com os limites de cada um. O ideal será que duas ou mais pessoas com o mesmo nível psicológico e social se entendam na terminologia utilizada nessas conversas mais eróticas. Depois desse entendimento estabelecido, o "céu é o limite" e daí para a frente os limites do respeito são bastante elásticos.

Quando uma pessoa se sente à vontade com outra ou outras, o seu discurso vai sendo mais relaxado e a questão do respeito muitas vezes já nem se coloca pois o respeito, no sentido dado pela sociedade em que vivemos, só nos vai colocar entraves e "travões" mentais ao modo como comunicamos naturalmente. O objectivo é tornar as conversas agradáveis para ambas as partes e que a empatia seja fruto do objectivo de conversa e das vivências de cada um entrarem em fase nesses momentos.

Uma boa conversa com uma bela mulher (e não coloco aqui apenas o conceito de beleza exterior) traz ao de cima ideias, fantasias, fetiches e vontades que geralmente não se sentem quando estamos perante uma mulher menos atraente em todos os sentidos, no entanto, uma mulher menos atraente na maioria das vezes traz dentro da sua mente o "fogo" e a "paixão" por uma boa conversa que geralmente lhe negam porque não consegue comunicar esse desejo devidamente. Neste caso temos de ter mais paciência e mais tempo para conseguir extrair essas "jóias" desses cérebros mais perturbados dando-lhes hipótese de expandir o que lhes vai na alma e, quiçá, tornarem-se interessantes e eróticas por direito próprio.

Este artigo talvez seja uma aberração em termos psicológicos mas constitui, decerto, um documento das minhas próprias experiências durante alguns anos em "chats" com mulheres atraentes, menos atraentes e totalmente adversas à conversa. O tempo que dediquei a isto retirei-o a momentos da minha vida que não interessa colocar neste espaço uma vez que são demasiado dolorosos e angustiantes. No entanto ainda bem que aconteceram, pois providenciaram-me conversas e o conhecimento de pessoas e realidades que noutras circunstâncias, mais normais, jamais teria acesso.

Agradeço à vida e a todas as pessoas que me permitiram "penetrar" na sua vida e construir diversas realidades baseadas em teorias que desde jovem sempre tive. As certezas são agora mais que muitas e verificadas por muitas horas de conversação pela net e por estatísticas realizadas durante todo esse tempo.

Comentários

Joana Cardoso disse…
Hummmm... Sou parte de uma estatística?? ;)
Até eu sou parte de estatísticas quando vou ao supermercado ou ao shopping :D Mas não... não fazes particularmente parte disso e sabes bem :)