Negócios chorudos por cabo...

Sentado no meu sofá, olhando através da TV para o infinito, dou comigo a pensar no objectivo prático de estar a pagar a conta da Vodafone no que concerne à IPTV. Quem já alguma vez teve a sensação que está a pagar uma montanha de canais e apenas usufrui de, no máximo, uns 20? Primeiros a pôr o dedo no ar, a mão inteira e sei lá que mais :-D

É verdade. Estou muito saturado pelo modo como as operadoras de IPTV regem os seus negócios em Portugal (pelo menos). Que sentido existe em pagar pacotes com 190 canais se a maioria são lixo? Para quê pagarmos esse serviço se depois somos inundados com publicidade? Não pagamos já o suficiente para não sermos bombardeados com anúncios sobre todo o tipo de artigos que não nos interessam? Isto sou eu apenas a pensar.

Não faria mais sentido adquirir pacotes personalizados apenas com os canais que cada um mais consome ao invés de nos entrarem pela casa dentro canais que nada têm a ver connosco e que servem apenas para encher as grelhas até ao absurdo? É isso mesmo que já fazem alguns "softwares" que grande parte de nós conhecemos.

Aplicações ou sites tão como o YouTube, Netflix, iTunes, Hulu, Flipps e outros, estão a mudar o panorama do modo como consumimos TV através da adição de mais ecrãs dentro da nossa sala de estar. Telemóveis, tablets ou mesmo computadores a correr "software" específico que os transforma em "media centers" (Raspberry Pi e outros) já estão espalhados por todo o mundo. O paradigma do negócio IPTV está a ruir pois o consumo de informação e de conteúdos está a mudar rapidamente e está a mudar para um modo mais personalizado onde já não faz sentido ter apenas uma TV na sala mas sim uma TV que permita escolher os conteúdos que nos interessam na hora que mais nos convém.

Isso faz "cair por terra" todo o modelo de negócios das operadoras clássicas de TV por cabo e irá obrigá-las (como sempre deveria ter sido) a adoptar outras matrizes que lhes permitam sobreviver neste mundo mais global onde a Internet tem o palco central e por onde todos os conteúdos fluem. Se as operadoras não se adaptarem a este modelo vão definhar e morrer como já morreram tantos clubes de vídeo que na sua agonia final tentam, de todas as maneiras, anular a enxurrada de conteúdos que nos entram todos os dias pela Internet directamente para os nossos dispositivos fixos e móveis.

Esses dispositivos que perfazem o universo dos serviços denominados O.T.T. (Over The Top) estão a ser os "carrascos" das tradicionais operadores que fornecem conteúdos directamente para as TV da sala através do simples cabo ou fibra-óptica. Existem operadores virtuais que apenas se dedicam a fornecer serviços O.T.T. e que nem sequer passam pela TV clássica, uma vez que não é esse o seu negócio central. Deste modo estão a chegar mais rapidamente a uma camada de espectadores que já não têm tempo para fazer "zapping" sentados na sua sala-de-estar mas sim ver conteúdos seleccionados e valorizados pela qualidade de imagem e entrega "on-demand".

O que pensam vocês deste tema e digam-me se são afectados por estas mesmas dúvidas e certezas. Quero saber da vossa parte que vos parece o "desmoronamento" do modelo de negócios da MEO, ZON, Vodafone e Cabovisão nesta área?

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