Sentido de vida...

Detesto ciganos...

Esta é uma frase que pode gerar muita polémica pelo racismo/xenofobia que encerra mas na realidade não são todos os ciganos que eu detesto. São apenas aqueles que me fizeram passar pelas adversidades que estou a passar neste momento. Até esse momento via aquela sociedade como fascinante e deveras curiosa. Tanto que em tempos fui bastante amigo de uns quantos, ainda namorava eu com a minha ex-mulher enquanto ela vivia na Pontinha em Odivelas.

Nessa altura os ciganos pareciam-me bastante interessantes em termos de descoberta das suas tradições e da sua cultura mas... desde que me armadilharam o futuro há cerca de 8 ou 9 anos atrás e me perseguiram pelo menos por uns 4 ou 5 anos, fiquei com uma perspectiva diferente do que realmente significa ser cigano.

Neste momento tenho a visão e a certeza de que jamais um "senhor" (como eles chamam as pessoas brancas) pode conviver devidamente e com confiança com a sociedade cigana. Eles tentarão por todos os meios tirar partido de nós e não é uma questão de "se" mas sim de "quando" pois isso irá acontecer sem margem para dúvidas e mais cedo do que se possa pensar.

Pelo que me foi dado a entender os ciganos são ensinados desde muito novos a terem uma atitude perante a sociedade de total desprezo e aversidade pelo modo como nós, o resto da sociedade, vive, trabalha e convive. Desde muito cedo eles são incitados a criar esquemas de sobrevivência que passam pela diversidade de fontes de rendimento e de expedientes com os quais a nossa maneira de viver não se coaduna.

Lembro-me de quando andava na escola primária ter 2 ciganos como colegas e todos os problemas de estabilidade nas aulas passarem quase invariavelmente por eles. Os pais vinham buscá-los e quase sempre arranjavam problemas com as contínuas ou com a professora. Nessa altura não me incomodava muito a atitude deles porque a minha era a que os meus pais me diziam para ter numa sala de aula, mas fazia-me confusão outros meios não seguirem o mesmo modo de vida que eu tinha (a ingenuidade dos 7 anos a manifestar-se).

Actualmente e perante as agruras e angústias diárias que essa etnia me está a obrigar a passar devido a negócios que jamais deveria ter tocado, a única opinião que posso ter, é a que descrevo no início do artigo. Devido às questões que descrevo, a minha família foi colocada em perigo de vida e a perseguição regular é uma constante. Desejo muito livrar-me disto e conseguir respirar novamente de alívio, mas para isso acontecer ainda falta passar muita provação e tristeza na minha vida e na vida dos que mais amo.

A todos os que "toquei" com este problema, quero pedir-vos as mais sinceras desculpas por nunca vos ter dito nada. Não vos queria perturbar no vosso trabalho diário ou vida. Na minha ânsia de protecção e desvio de atenções, "cavei" um buraco muito grande na minha vida do qual não faço ideia se alguma vez saírei dele com vida. Agradeço a todos os que me proporcionaram amizade, oportunidades de aprendizagem e acima de tudo carinho e compreensão pelas minhas falhas e atitudes menos correctas.

A falta de sentido de vida e de formação inicial para a orientação profissional devida, desenhou-me um trajecto pouco claro e ziguezagueante em termos profissionais. A falta de dinheiro constante para estudar, renda de casa, contas do dia-a-dia, carro e outras despesas profissionais, fizeram com que agarrasse tudo o que aparecia sem ligar muito à qualidade de quem aparecia com trabalho. A necessidade cria dependência... e eu deixei-me levar pela dependência da sobrevivência diária.

Actualmente com um filho que não tem culpa nenhuma destas minhas limitações, a dificuldade de resistir à pressão que todos os dias paira sobre mim, aumentou numa proporção de 1/100 e não sei como sair deste angustiante problema que um dia um par de ciganos me causou. Por isso... detesto-os!!!

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