Sócrates e a sua situação...

Gosto de ver o antigo primeiro-ministro português, José Sócrates, enfrentar um processo gigantesco como o que lhe apareceu "pela porta". É o continuar do ciclo de mentiras, arrogâncias, prepotências, estupidez e despesismo que grassou durante a vigência do seu governo.

Nunca confiei no homem... nunca desde a sua famosa passagem pelo Ministério do Ambiente e das suas reconhecidas teimosias e insistências com o processo da co-incineração de resíduos tóxicos nos fornos das cimenteiras de Souselas (Coimbra) e de Outão (Setúbal). Havia ali algo de estranhamente obsessivo em tudo o que fazia e não era necessariamente para o lado positivo. Cheirava-me a conluio e a participação de terceiros em todo o processo, obviamente envolvendo somas chorudas de dinheiro num negócio, que parecia todo ele talhado na... China.

Quando ele venceu as suas primeiras eleições eu pensei logo... o país está perdido para os próximos anos (só não soube dizer quantos, mas agora depois da governação igualmente desastrosa do PSD, nem sequer se vislumbra o fim da crise à vista). Na realidade, eu desde que me lembro de ser gente, aprendi a viver com a palavra "crise" sempre à nossa volta e mesmo dentro de casa. Não me preocupo muito com isso pois entre governo ou saia governo, as caras são sempre as mesmas e as atitutes... mais do mesmo.

Mas durante o "reino" do "califa" José Sócrates, tivemos muito mais do mesmo: guerras internas entre o governo e a população, despesismo alucinado, prepotência atroz, falta de diálogo fosse com quem fosse, culto da imagem, interferências constantes nos meios de comunicação social e tudo o mais que um governo não deveria fazer mas fez... ou tentou fazer, num país dito democrático e sem censura onde o famoso "lápis azul" voltou na forma de um primeiro-ministro forrado de antigos dogmas e de antigas filosofias de orientação de um povo despido de importância europeia e devotado ao sofrimento perpétuo.

Também foi durante a sua "ditadura" que Portugal perdeu o último dos seus orgulhos, atirando para a globalidade, necessidade de evolução e facilidade de comunicação, a língua portuguesa que tanto nos orgulhávamos de possuir. A matriz original da língua portuguesa, perdia-se deste modo, numa atitude tresloucada de agradar a uma Europa cada vez mais sedenta do petróleo brasileiro e disfarçada de "pessoa-de-bem" que exigia ao país mais periférico e com menor expressão no cenário europeu, um esforço de abandono das suas reaízes culturais para que se aproximasse mais aos seu país irmão, não com o intuito de fazer um intercâmbio cultural mas sim uma "ponte cheia de tubagens" por onde lhes fosse permitido sugar todo o ouro negro que pudessem, via Portugal.

Para que os acordos pudessem funcionar, a língua teria de se adaptar, segundo o Ministro da Cultura de então, que assinou a sentença de "morte" da língua portuguesa. Para tornar mais encapuçada a verdadeira intenção europeia, tentou-se trazer "a terreiro" os restantes países do Comunidade da Língua Portuguesa, os bem conhecidos P.A.L.O.P. Obviamente que tudo isto cegava de tanto dinheiro que poderia advir com uma míriade de negócios a todos os níveis que, potencialmente, se poderiam gerar. No entanto... nada disso se revelou ser verdadeiro. Perdemos a língua, perdemos a base da nossa cultura, perdemos dinheiro, perdemos trabalho, perdemos fama, perdemos proveito, perdemos gente qualificada e perdemos, acima de tudo, juízo no seio deste processo.

Outro dos enormes "elefantes-brancos" com que Sócrates nos presenteou foi o encapuçamento das dívidas fiscais de certas empresas, pagas por ajuste-directo com vários negócios que serviam tanto ao estado como aos próprios gestores dessas empresas. Exemplo vivo e visível deste tipo de atitude foi o projecto Magalhães. Começou com uma mentira e acentuou essa ideia ao longo da toda a sua vida. A empresa que os produzia, dizia que a ideia tinha partido deles (conceito português), quando a ideia original tinha partido de Nicholas Negroponte (http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicholas_Negroponte) através do projecto One Laptop Per Child (http://one.laptop.org) ao qual se juntaram depois muitas mais pessoas (http://one.laptop.org/about/people) e onde a empresa JP Sá Couto foi beber a informação para "inventar" o tal conceito português.

A versão portuguesa que nasceu desta "inspiração" tomou o nome de Magalhães, como já referi, mas a farsa não terminou por aqui. Alongou-se a países como a Colômbia, Angola, Moçambique, Timor, Guiné-Bissau e São Tomé e Princípe. Para eles a origem do projecto muito pouco interesse teria, mas porque a verdade tem de vir ao de cima e por uma questão de ética, a mentira deveria ter acabado ali na origem da "brilhante ideia". Poderiam apenas e somente dizer que se tinham inspirado no projecto O.L.P.C e seriam coerentes e honestos. Como não foi esse o caminho seguido, Sócrates e a sua trupe de artistas de circo, foram achincalhados, gozados, roubados e sei lá que mais acabado em "ados".

Existe, no entanto, uma grandiosa e fantástica lei que finalmente viu a luz do dia: a proibição do fumo em locais fechados como restaurante e casas de espectáculos. Mas assim como veio, também foi logo adaptada e alterada para se ajustar aos interesses insanos da Tabaqueira Portuguesa e do seu "exército de oncológicos cardíacos sugadores de fumo" que possuem grande poder de "lobby" e que não possuem respeito pelas pessoas que não fumam. Pessoas que sabem que se estão a auto-destruir reduzindo a sua vida útil e a sua qualidade de vida (incluíndo a dos outros), continuando a defender uma causa caduca e doentia como é a do direito de fumar e de o fazer em qualquer espaço independentemente de quem o frequente.

O caso Freeport foi outro dos grandes "pregos" no caixão do governo socrateano. Desde esquivadelas, notícias que desapareciam, jornalistas pressionados ou despedidos e jornais encerrados, tudo serviu para tentar abafar este problema para Sócrates. Todos os meios anti-democráticos serviram para deitar abaixo uma campanha que pretendia desmascarar os ardilosos esquemas do ex-primeiro-ministro. O governo PSD/CDS actual não é melhor nem pior que o anterior... é igual. O caso Relvas parece em tudo igual ao que se passava no tempo do governo anterior.

Muitos outros casos se espraiaram durante o governo socialista: os problemas com a Igreja Católica, os PEC's, as promessas não cumpridas, o plágio de ideias, os conflitos constantes com os demais partidos, as relações com o exterior, a dúvida da sua licenciatura, etc.

Em resumo, todo o governo de José Sócrates parece envolto em polémicas de corrupção, branqueamento de capitais e outros crimes "lesa-estado" e lesa o nome da cultura portuguesa. Irá responder por tudo isto e mais algumas situações dúbias na sua vida particular onde conseguiu acumular uma importante fortuna pessoal sem se saber exactamente como. Como estava de viagem marcada para o Brasil uns dias depois de ter sido detido no Aeroporto de Lisboa, ficou em prisão-preventiva e de onde, se espera, não sairá mais até todo o processo se desenvolver e vir a ser acusado e condenado ou acusado e absolvido.

Gostava que alguns dos meus leitores me transmitissem o que pensam desta polémica e discutirmos abaixo os diversos pontos de vista... concordantes ou discordantes.

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