Um dia na Microsoft Portugal...

Ir à Microsoft Portugal é como mergulhar num mundo que tanto tem de pedante, arrogante e distante como tem de aconchegante, confortável e animador. Durante o tempo que estamos sentados naqueles estranhos sofás de diversas formas e cores que mais parece uma cama com diversos lados, obervamos quem passa e nos olha de frente ou de soslaio e pensamos que vidas serão aquelas que vivem agarrados aos telefones móveis ou portáteis para todo o lado.

Ir a esse mundo é como ir ao "covil" de um inimigo onde todos nos reconhecem como não reconhecível e nos lançam olhares de poucos amigos. Esse olhares têm mais componentes de "desaparece daqui" do que "conta-me os teus problemas e nós de certeza temos as soluções".

Ontem fui a esse sítio para obter uma formação sobre uma plataforma de gestão de qualquer coisa interessante e de muito geek para mim. Ao passar pela soleira da porta desse grande edifício, senti que todos os olhos pousavam em cima de mim. Mulheres lindas olhavam-me no balcão da recepção mas quando me aproximei, baixaram os olhos, obrigando-me a chamar a atenção delas com um breve e sonoro "Boa Tarde".

"Venho para uma formação em..." disse eu com voz decidida, "...será que já alguém chegou para a mesma formação?". Depois de alguma confusão nas faces belíssimas das duas jovens, uma delas lá se lembrou que deveria telefonar para alguém afim de verificar a disponibilidade da sala e a presença do formador. Entretanto olho em volta e não reconheço ninguém. Sinto-me mudamente isolado. Venho tentar aprender algo sobre uma plataforma da qual sei muito pouco mas que, pelos vistos, não existe muita gente que se interesse por ela. As meninas voltaram com a resposta: "aguarde um pouco e já o chamaremos". Agradeço e dirijo-me para os sofás estranhamente bizarros colocados estrategicamente do lado direito da recepção.

Sento-me como posso, pois aqueles sofás de sofá têm muito pouco e lembram mais camas, como disse anteriormente. Distraio-me a enviar umas mensagens pelo Facebook, pelo Viber e pela aplicação de SMS do meu telefone. Recebo um telefonema e era alguém para fazer uma assistência. Não poderia ter telefonado em pior altura. Sem possibilidade de providenciar ajuda à pessoa, solicito se o posso fazer mais tarde e ao que a pessoa anui e a chamada termina por ali. Entretanto as restantes pessoas que tinham chagado para a formação já tinham desaparecido, restanto apenas eu no "lobby" do edifício. As meninas não me tinham avisado que tanto formador como a sala tinham ficado disponíveis.

Corro para o 3º andar desde imenso edifício e procuro desesperadamente a sala onde a formação decorria vai para uns bons minutos. No corredor olho em todas as direcções mas apenas vejo cafetarias em ambas as pontas. Decido-me a ir até a uma das pontas e reparo que existem salas de formação nas pontas de uma das cafetarias e coincidentemente uma dessas salas era a que procurava.

Entro e a formação já decorre há algum tempo, mas cordialmente digo "Boa Tarde" e os meus colegas de curso e formador cumprimentam-me simpaticamente, muito ao contrário do que se passou na recepção desta empresa. Sento-me a meio da sala numa secretária já perfeitamente apetrechada para o evento onde me inseri e retiro o meu pequeno portátil da minha mala, ligando-o à rede sem fios e à régua de energia eléctrica disponíveis.

O formador, homem simpático e algo redondo, debita do alto dos seus muitos anos de empresa, o conhecimento que acredita ser o melhor do mundo mas igualmente reconhece algumas das suas limitações em termos de tecnologia e aponta a concorrência como o "alvo a abater" por estarem mais à frente do que eles neste campo. Acredita que mais umas semanas e a tecnologia fica a par da concorrência. Não conta, no entanto, que os seus pares concorrentes jamais ficarão parados à espera que a Microsoft os alcance, imitando uma estátua que apenas se irá mexer se vir que estão ali mesmo muito perto dela.

A formação é divertida e contém muitos itens realmente interessantes e com potencial para se fazer algo neste campo. O Luís, formador de muitos anos, pausa a matéria porque algo inesperado acontece: o projector de vídeo avariou. O tempo passa, os formandos saem para uma pausa com "comes-e-bebes" e reparamos na azáfama que está dentro da sala com pessoas a tentar resolver o problema do projector. Eventualmente o equipamento volta a funcionar e o pobre do Luís volta a chamar toda a gente de volta para a sala. O resto da formação continua sem qualquer outro percalço e a um ritmo divertido e com actividade nas máquinas disponíveis para a realização do curso.

No fim, já noite lá fora, considerei todas as actividades bastante positivas e realmente a plataforma é bastante útil. Foi no global uma formação que impressiona pela dimensão do que estivemos a falar mas também pela simplicidade com que é configurada numa consola centralizada. Volto a casa mais contente por ter adquirido mais uma divisa no meu "uniforme" de técnico de redes e comunicações. Viva eu :)

Não gostei do ambiente demasiado formal fora daquela sala. Gostei do "coffee-break" pois providenciou alguns momentos de boa descontracção e de informação adicional que permite olhar para as pessoas presentes como humanos normais e não como cérebros que percebem muito mais disto que eu.

Desta vez não deixo pedidos de análise ou de crítica. Este foi um artigo vivido na primeira pessoa e foi a realidade onde estive inserido durante algumas horas para conseguir mais conhecimentos sobre a plataforma e sobre o modo de comercialização.

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