O lado negro da Internet...

Obviamente, e tal como na vida real, a Internet tem um lado negro por onde se movem criaturas e atitudes definidas como desviantes e nada compatíveis com a vida em sociedade. O seu nome antigo era FreeNet mas mais recentemente adquiriu mais visibilidade através do conceito ideológico chamado Tor (www.torproject.org).

Desde que os governos do mundo se dedicaram a controlar toda a população deste planeta na tentativa de medir e prever comportamentos de risco ou apenas de se intrometer na vida dos seus cidadãos com a desculpa de que é para o bem da segurança nacional, que a ideia de existir uma rede paralela e verdadeiramente segura e livre gravita na mente de todos os que se dedicam a divulgar a verdade das coisas, sem "panos-quentes" e sem mostrar misericórdia pelas instituições que nos roubam a privacidade.

O projecto Tor constitui neste momento o maior e melhor exemplo do que todos os que amam a liberdade conseguem fazer em prol dela. Aproveitando os conceitos e experiências conseguidas nas diferentes camadas onde se escondia a antiga FreeNet (apesar de ainda existir e coexistir com o projecto Tor, este último tem assumido cada vez mais a sua posição dominante no espectro da segurança e privacidade), este projecto desenvolveu metodologias de segurança e encriptação de comunicações muito acima das possibilidades de penetração dos serviços secretos de qualquer país.

Claro que a par da utopia da privacidade vêm outros serviços que em nada ajudam a causa de uma sociedade mais justa e livre. Falo de todas as actividades que uma Internet paralela permite. Desde tráfico de droga a contactos entre terroristas, o projecto Tor permite tudo sem restrições. É um mundo sem barreiras e sem controlo. Cada um faz o que quer dando largas aos seus mais dementes pensamentos e, o que é pior, consegue contactar com outros pares que pensam e fazem o mesmo... e não existe solução para este problema. É algo muito real e degradante.

A pior sensação que temos é que tanto polícias como forças secretas, cohabitam neste mundo terrível, degladiando tecnologia a um nível não visível ao resto dos cidadãos, jogando permanentemente um jogo de "gato-e-rato" sabendo de antemão que uns jamais apanharão os outros devido à própria natureza do projecto Tor e que se demonstra à direita na forma de uma representação gráfica sobre o modo como as comunicações se processam nessa rede.

São camadas atrás de camadas de roteamento de tráfego que jamais se conseguirão analisar. Cada nó desta rede encripta as comunicações a um nível altíssimo com o próximo nó e se, eventualmente, conseguíssemos desencriptar as mensagens que circulam num só nó (tarefa actualmente impossível com a tecologia existente), teríamos pela frente mais nós e camadas de encriptação que nos iam levar à insanidade e à loucura. É uma tarefa inglória a dos agentes policiais que tentam a todo o custo "escutar" o que circula nos nós desta rede negra. Não lhes invejo o trabalho.

As camadas de comunicações através desta rede são como camadas de casca numa cebola: parece que nunca mais acabam e por isso o logotipo do projecto Tor é isso mesmo: uma cebola. Representando a enormidade "matrioskana" de uma tarefa hercúlea, nada mais se pode equiparar no mundo dos vegetais.

Algumas das actividades de mercado negro que este tipo de computação permite são:

  • Comercialização de drogas ilegais;
  • Comercialização de parafernália para consumo de drogas ilegais;
  • Arte roubada;
  • Equipamento informático não controlado;
  • Revenda e Comercialização de falsificações;
  • Revenda de material perigoso para fazer engenhos explosivos;
  • Serviços para executar engenhos explosivos;
  • Serviços de assassínio de pessoas ("hitmen");
  • Comércio de artigos roubados (jóias, viaturas, etc.);
  • Actividades pedófilas;
  • Comércio de livros proibidos;
  • Comércio de suportes multimédia com conteúdo proibido;
  • Etc...
A esta actividade dá-se, normalmente, o nome de "Silk Road" (um mercado anónimo e totalmente seguro, anti-forças policiais) numa analogia à antiga Rota da Seda, que trazia para a Europa (neste caso para o mundo inteiro) todo o tipo de artigos interessantes e fora-do-comum, que faziam as delícias dos que adquiriam esses itens. Porque esses artigos eram únicos e sem controlo, rapidamente se convencionou colocá-los à disposição de uma faixa de população com poder de aquisição acima da média e, obviamente, mais facilmente corruptíveis.

Através de uma série de instrumentos pré-configurados e disponibilizados no site oficial, a rede Tor está aberta a qualquer pessoa ou organização que pretenda usufuir dela com mais ou menos ética. Alguns dos grupos sociais que neste momento usufuem desta rede são:
  • Famílias e amigos (que pretendem manter o anonimato);
  • Negócios (para procurarem informações sobre a concorrência, etc.);
  • Activistas (manter a coordenação entre os diversos grupos);
  • Media (proteger as fontes e consultar informações);
  • Militares e forças de segurança (manter secretas as comunicações).
Espero que tenha ficado no ar tanto a curiosidade como o receio de conhecer esta vertente menos visível da Internet mas que possui o potencial para se tornar mais importante que Internet em si por força das actividades cada vez menos privadas dos nossos governos ou forças policiais.

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