Tentativa desarticulada mas profícua...

William Labov
A minha vida é muito estúpida por vezes. Digo isto porque sempre que quero ajudar alguém ou fazer algo cujo objectivo é servir a sociedade de uma forma discreta e sem qualquer expectativa de recompensa... lixo-me!

Devia ficar quieto, desvanecer-me nas sombras e dar lugar a quem realmente estudou para poder ajudar pessoas com os seus conhecimentos técnicos e autorizados. Não que esses conhecimentos leve essas pessoas a poder conseguir pós-graduações ou doutoramentos acerca de assuntos realmente interessantes, mas apenas porque lhes é aberta a porta para poderem fazer tudo o que quiserem dentro do enquadramento legal removendo a naturalidade e a liberdade de se ajudar do modo que nos aprouver.

Este desabafo é tido na sequência do estudo que refiro no início deste blogue onde está muito claro o objectivo do que eu iria fazer, no entanto as entidades oficiais não concordam com o que fiz ou com o próprio conteúdo desse estudo e desacreditaram-me em toda a linha. Sinto que todo o meu trabalho foi em vão mesmo sabendo que está totalmente correcto e sem mácula.

Escudam-se no facto de que deveria ter ido inicialmente a um conselho deontológico e ter sido orientado por alguém responsável pelo meu trabalho. Até posso concordar com isso, no entanto, essas alterações ao meu plano original iriam traçar distorções assíncronas entre essas pessoas e o que considero um estudo ideal.

A nossa sociedade é demasiado austera e controlada para se conseguirem obter dados fiáveis seja do que for. Toda a gente mente, manipula, "martela", orienta e descarta resultados que inicialmente eram plenamente viáveis e credíveis para que, a "bem da ciência e da sociedade", terão de ser apresentados e entendidos de modo diferente do seu estado original. Isto irrita-me profundamente.

William Labov (na imagem), no final dos anos 60 do século XX, surgiu com a ideia peregrina de alterar o estado de coisas no que concerne aos estudos psicológicos e sociais. Definiu uma nova estratégica em relação à obtenção de dados efectivos e bastante mais reais que os obtidos até aí pelos seus colegas psicólogos e psiquiatras. Para isso muniu-se de algo que todos nós possuímos na nossa vida diária: a linguagem. Mais propriamente, a linguagem que todos nós usamos no dia-a-dia e descartou a linguagem mais técnica que usamos no trabalho, no estudo ou em ocasiões mais familiares. Ele usou a linguagem de mais baixo nível para executar todas as suas ideias.

Desse modo conseguiu não apenas que as pessoas respondessem naturalmente às questões que lhes eram colocadas mas também vários estudos que, originalmente, tinham sido conduzidos em ambientes controlados, fornecendo desse modo resultados até aí considerados concludentes, resultados totalmente diferentes quando tidos em ambiente mais social sem a conduta ou a pressão de um ambiente académico ou laboratorial.

Deste modo conseguiu definir tanto as premissas como toda a dinâmica do que mais tarde viria a ser conhecido como a "sócio-linguagem". Os vários grupos dos vários bairros de Nova Iorque foram as suas cobaias sem sequer imaginarem que o estavam a ser. Num rasgo de génio, incumbiu diversos dos seus alunos de conduzirem entrevistas em ambiente familiar, social e até mesmo científico sem as pessoas objectos desses estudos estarem cientes de que estavam a ser escrutinadas. Quando os resultados apareceram, todos ficaram admirados com o profundo desvio que o ambiente onde qualquer estudo é feito, faz provocar.

Nunca me identifiquei tanto com um psicólogo como com este senhor. Para mim é um génio e a ele deixo as minhas felicitações por não conhecer o seu trabalho, mas sabendo que não poderia ser apenas eu a ter as ideias que tinha. Teria de existir mais alguém tanto no presente como no passado a explorar todo este manancial de possibilidades infinitas.

Tenho mais ideias para estudos polémicos e muito raramente ou nunca vistos nos termos que pretendo fazê-los. Espero passar à prática assim que o problema deste com que me debato passar à fase seguinte.

Muito obrigado a todos pela vossa fidelidade como leitores e como assíduos frequentadores deste meu cantinho.

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