Light gourmet...

Já me enerva a mania de tudo com gordura levada ao mínimo. Já me enerva porque isso deveria ser uma opção do próprio consumidor e não da empresa que fabrica o artigo que é consumido. E se eu quiser batatas fritas com 70% mais gordura e 80% mais sal? Como vou fazer? Adiciono óleo de fritar para dentro do pacote ou espalho sal fino por cima das batatas?

É uma solução a ponderar, obviamente, mas não é a mesma coisa, porque tanto a gordura como o sal que vêm incrustados nas pequenas rodelas de batata já passaram por processos de fabrico que lhes deram um gosto distinto e quando se adicionam aromas e sal, que nada têm a ver com os aditivos originais, estamos a desvirtuar o artigo em questão. Estamos apenas a adulterar o produto original, e isso é... inaceitável.

Por isso, quero aqui apresentar o meu veemente protesto pela exclusão forçada do sal e da gordura da fritura (que redundância lexical tão gira). Quero produtos com 20, 30, 40, 50 ou mesmo 200% mais sal e mais gorduras :D Quero mais razões para a população portuguesa estar mais obesa e cheia de problemas cardíacos e de hipertensão. Afinal não é isso que o governo quer? Que morramos todos para poder ficar com um pedaço de terreno só para eles e livre desta raça de gastadores chamada Portugueses?

Porquê estarmos a dar "pérolas a porcos" se as pessoas gostam mesmo é de chafurdar na gordura da batata-frita ou no paladar salgado dos acepipes ou ainda nas delícias terrenas de um molho agridoce cheio de incentivadores de colesterol. Deixemo-nos de floreados pois o que desejamos mesmo é ser uns animais a rebolar nas gorduras da sua própria existência. Estamos fartos de gastar dinheiro em ginásios e correrias loucas que tanto fazem de bem como de mal. Por isso, não se mexam e inchem que nem uns Jabba The Hut (para quem não sabe, vejam A Guerra das Estrelas ou procurem no Google se não tiverem paciência para ver a sextologia).

Quando a esta loucura se mistura a definição de "gourmet" então "rebenta a bolha"... são devarios a mais para comer coisas que podem ser comidas sem parecerem obras de arte com ar de chiqu"eiro". Pretensiosismo e snobismo na comida é algo que dispenso e quero continuar a ser o apreciador de uma boa carne assada na grelha e sem frescuras de "gourmet". Conceito amaricado para roubar, literalmente, dinheiro ao incauto consumidor de comida.

As únicas alturas em que somos mesmo obrigados a ir a um desses restaurantes, é quando estamos na companhia de uma bela mulher e a queremos impressionar para a levar para o "vale dos lençóis" ou então quando somos obrigados a ir devido a algum almoço de negócios ou de uma reunião com amigos que entretanto foram ficando com as ideias menos claras acerca de o que é ser homem e usufruir das delícias de comer com as mãos e não com instrumentos socialmente convencionais.

Quantos de vocês ficaram satisfeitos com apenas um prato de "comida" destes chefes lunáticos por design de pratos aprendidos na escola da moda para betos cozinheiros no Estoril. Quantos de vocês saem destes restaurantes a desejar nunca mais lá voltar e dão por vocês a correr literalmente para um MacDonalds ou outra cadeia qualquer de "fast-food" para encher o bandulho com algo mais consistente, oleaginoso e salgado do que o pequeno mar de rúcula ou de erva-doce que o famoso chef se limitou a ir arrancar à horta e a espetar no prato cortadinhas em pedaços tão ínfimos que mais parecem caspa verde numa t-shirt branca.

Digam-me de vossa justiça... preferem comida amaricada ou comida de taberna (mas não daquelas novas tabernas também amaricadas)? Despejem as vossas frustrações e ambições nos comentários abaixo :) Serão bem-vindos e terão uma resposta condigna e de acordo com o referido.

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