Matilha sedenta...

Esta questão da Grécia estar a ser afastada da zona Euro trouxe-me à memória várias afirmações que proferi quando Portugal entrou na C.E.E. Ainda era eu um petiz mas já sabia que algo de muito mau iria acontecer quando países com culturas, histórias e hábitos diferentes se juntassem à procura de um bem comum.

Nunca existirá um bem comum numa Europa pautada por interesses mesquinhos e intermédios. Jamais poderá existir algo comum quando temos países a pagar dívidas astronómicas a outros países (Alemanha) quando esses países é que deveriam estar a pagar a sua dívida gigantesca aos países e vidas que destroçaram durante as guerras mundiais onde se envolveram.

Parece que as pessoas custam a entender, ou não querem entender ou não lhes apetece usar a cabeça para pensar um pouco sobre estas questões. A ideia original de transformar os países do sul da Europa em países onde a sua única e exclusiva fonte de rendimento seria o turismo e os serviços que daí advissem, foi uma ideia terrível que reduziu economias florescentes a economias dependentes dos humores dos mercados.

A maior das verdades é que, desde a entrada na C.E.E., Portugal foi um asno em admitir injerências na sua forma de governar o nosso canto e na forma como permitiu que os especuladores entrassem neste nosso cantinho para serem administradores de coisa nenhuma.

Todos se lembram que tanto a agricultura como a pecuária, nos foram retiradas para que tanto a França como a Espanha se pudessem colocar numa posição dominante nesse aspecto. Os desatentos que apenas viam dinheiro à frente, recebiam o dinheiro dos subsídios à não produção e compravam jipes de grande cilindrada para além das noites "à tripa-forra" em Lisboa, em vez de investirem noutras áreas produtivas, o que nos levou à estagnação e estado de coisas que actualmente todos nos queixamos.

Exactamente a mesma situação se passou no sector das pescas. Toda a frota pesqueira portuguesa foi sendo abatida e dizimada em prol dos grandes operadores deste mercado. Venderam licenças para que a frota espanhola viesse pescar nas nossas águas e conseguissem vender-nos o peixe mais barato do que se fossemos nós a desenvolver essa actividade. Lá genial foi, mas... como pode ser isso possível sem existir um conluio ou uma enorme maquinação por trás de tudo isso?

Fazendo com que o país deixasse de produzir a própria subsistência e desvirtuassem o nosso modo de vida, vimo-nos na obrigação de recorrer aos mercados internacionais e importar praticamente tudo o que consumimos. Esta reviravolta nos nossos destinos, foi a brecha que iniciou o nosso endividamento ao exterior. O desejo megalómano de ter grandes construções, fez o restante.

Estes foram e persistem sendo, os erros mais lamentáveis que a política permitiu em Portugal. Mas não nos iludamos. Existiu e existe uma "matilha de lobos esfomeados" que invadiu o poder económico e político no país, e a enorme apetência que o português tem para carregar o seu ego de direitos e esvaziá-lo de deveres e temos a receita perfeita para a destruição de um país milenar.

Estes "lobos famintos" estão por todo o lado. Não falo apenas das instituições públicas mas sim também do simples cidadão, que assim que se apanha com algum tipo de direito onde possa sacar algum dinheiro ao governo através de subsídios, saca sem pensar que isso está a sair dos bolsos de todos. Tamém entendo que não é o pequeno cidadão, que apenas pretende sobreviver mais um mês, juntamente com a sua família, que fará grande mossa no Orçamento geral do Estado. Afinal o dinheiro desse orçamento é de todos nós e mmais vale aproveitá-lo para um bem comum ou para salvar o dia a algum cidadão com dificuldades.

Os verdadeiros "lobos" são os que engordaram tanto que quase já não cabem na pele. Estão por toda a parte (banca, governo, Assembleia da República, etc.). Esses sim, levam-nos o dinheiro todo, e o pior é que não fazemos a mínima ideia para onde, escudando-se com a ideia de estarem a pagar a credores internacionais (seja lá o que isso possa significar).

Tanto Portugal como a Grécia (assim como Espanha, Itália e outros países) foram "engordando" os seus cofres internos com este dinheiro que provinha de negócios ilícitos entre os vários países e rapidamente se viram enredados numa teia de dívidas insuportável, porque não entenderam que o fluso de verbas iria um dia parar e que a factura de tudo isso viria logo de seguida.

Então, os "xico-espertos" europeus, que tudo venderam para os países da periferia, desde cereais, pescado, carne, comida processada, entre muitas outras coisas, mas que nunca receberam, exigem agora o pagamento de tudo de uma só vez, com a seguinte mensagem: ou pagam ou não há mais! É isto, por poucas palavas, que está a acontecer!

Mas será que todo este problema tem solução? Até tem, se os países oprimidos pelas dívidas artificiais, quiserem muito fazer frente aos agiotas. Comecemos por castrar os "lobos" para que a espécie não evolua. Vamos tentar, na medida do possível e impossível, colocá-los confinados em cativeiro e esvaziá-los de toda a sua "gordura" (por direito, não é deles), Controlo absoluto na ração dos futuros "lobos", não deixando que engordem, de forma alguma. É lícito ganhar dinheiro, mas é ilícito roubar, mais ainda, roubar descaradamente.

Pague-se a quem se deve com as "gorduras" acumuladas dos "lobos" e com o que mais seja necessário, mas nunca mais deixemos esta alcateia imunda tomar as rédeas do nosso destino. Se assim não fizermos, não teremos do que nos queixar. E mais que tudo... lembremo-nos sempre que existe uma balança de dois pratos que pesam direitos de um lado e deveres do outro e, acreditem, que se o prato dos direitos estiver constantemente mais pesado, um dia teremos de pagar por isso.

Comentários

Joana Cardoso disse…
Mas como pretendes que se consiga fazer isso "Comecemos por castrar os "lobos" para que a espécie não evolua. Vamos tentar, na medida do possível e impossível, colocá-los confinados em cativeiro e esvaziá-los de toda a sua "gordura" (por direito, não é deles), Controlo absoluto na ração dos futuros "lobos", não deixando que engordem, de forma alguma."??
Sempre que um "lobo" fosse encontrado, a sua vida ficaria a ser controlada na totalidade pelo sistema fiscal e não poderia em altura alguma da sua vida, fazer transacções de certos valores para cima sem ser escrutinado "até à medula" :D
Joana Cardoso disse…
Teria que se mudar a Constituição provavelmente, porque isso cheira-me a anticonstitucional...
Uma vez que é uma pena, teria que ser julgado primeiro e voltamos à actualidade. Já sabes o que acontece nos julgamentos dos "lobos".