Arenas de frustrados...

Ir a um grupo de discussão sobre alguma matéria no Facebook é ao mesmo tempo um exercício de maturidade tecnológica e uma idiotice pegada. Esse espaços de opinião pública são formados por pessoas com um grau de inteligência fora do normal, gente que quer aprender alguma coisa, seres disformes que não sabem bem o que ali estão a fazer mas estão só porque... sim, pessoas que adoram ensinar, sociopatas e psicopatas não conscientes que o são.

Sempre que aparece alguém a questionar algo ou a afirmar peremptoriamente sobre alguma matéria que conhece bem, estala uma batalha de egos entre os vários utilizadores, que mais parece uma arena de frustrações do que uma área de discussão de ideias e de obtenção de conhecimentos sobre assuntos específicos que nos interessem.

O leque de insultos e ameaças é de tal forma ridículo que mesmo os administradores não conseguem conter certos utilizadores de prosseguirem as suas guerras pessoais na vida real com consequências reais. Estas pessoas não conseguem medir o distanciamento necessário para se estar num grupo de discussão e as suas frustrações de vida pessoais. Tendem a misturar existência real com existência virtual e nessa amálgama confusa de egos alterados pelo incentivo do Facebook, acontecem desgraças e ameaças veladas à estabilidade física e psicológica dos alvos dos insultos (seja de uma parte ou da outra).

Nunca vi que um menos "entendedor" de certa matéria, se tivesse "ficado" sem dar uma resposta à-letra a quem perturba a sua pseudo-omnisciência acerca de certos assuntos. Mesmo que não perceba nada, tem de dar opinião, seja ela idiota, desfasada, cortada ou tresloucada. Tudo tem de escrever algo que inflama os egos do mais mesquinho. A isto chamam eles "discussão saudável e proveitosa". Boa boa :) E os administradores desses espaços impávidos e serenos a assistir de camarote e de pipoca na mão, às guerras que se desenrolam cá em baixo na poeirenta arena de todos os egos.

Outra coisa que se nota bastante são as repetições intermináveis das mesmas perguntas (ou mesmo teor) sem a(s) pessoa(s) que as colocam se preocuparem em fazer buscas pela matéria pretendida no campo das buscas. Isso, geralmente, despoleta uma ira destravada em certos utilizadores que estão "pelos cabelos" de tantas vezes responderem às mesmas perguntas vezes sem conta. Daí até começar nova guerra no grupo, é um pulinho bem pequenino. Voltam os insultos, as ameaças e aparece também outro fenómeno interessante: os cavaleiros andantes que protegem os mais "fracos".

Sim esta é outra das classificações de utilizadores que se nota existirem. Estão sempre à espreita e só intervêem quando reparam que alguém está a ser consumido pelo "bullying" digital nesses grupos. Aí a mente dessas pessoas acende como uma tocha na escuridão e saltam cá para fora do seu ego de eremitas escondidos "debaixo de uma pedra" e defendem com "unhas-e-dentes" os valores e falta de conhecimento do mais fraco ao ponto de ameçar quase de morte o mais "forte". É realmente um divertimento sem igual assistir a algumas discussões que se prolongam por "posts" intermináveis. É como ir ao cinema ver um filme de acção, policial, drama, comédia, etc. Tudo ao mesmo tempo.

Experimentem aderir a grupos como OnePlus Portugal, PplWare@Windows, PplWare@Android ou qualquer outro que tenha a ver com tecnologia móvel e sintam as "belas" vibrações que dali emanam :) Talvez fiquem a aprender alguns novos palavrões ou a conhecer novos personagens que parecem retirados de novelas da TVI (pelo nível de dramatismo) ou de programas cómicos da SIC. Misturem tudo e têm um grupo de discussão tecnológico do Facebook.

É um espectáculo gratuito e digno das melhores plateias. Ainda um dia alguém vai fazer um livro ou "script" para algum filme baseado nestas tragicomédias que se passam a todo o momento nestas áreas do saber. Se alguém tiver essa ideias nos próximos tempos, eu ofereço-me como consultor sénior para orientação de escrita ou de actores.

Digam-me o que pensam deste assunto e se alguma vez frequentaram este tipo de grupos para obterem algum conhecimento e se sentiram que vieram de lá com menos inteligência do que para lá foram :) Costuma ser uma sensação bastante frequente somada à intenção de nunca mais lá voltar, mas que é tal e qual como um vício... não quero lá ir mas tenho de lá ir. Um conflito psicológico permanente e nada salutar.

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