Hotel do inferno...

O Clube Praia da Oura deve ser o hotel mais confuso em que alguma vez tive oportunidade de ficar.

O edifício foi projectado por Jack Petchey e o objectivo seria o de relembrar um navio em terra com a proa orientada para o mar, no entanto, os vários "decks" que constituem este "navio" são um labirinto infernal de portas, níveis, recantos, escadas, esquinas, caminhos, corredores, mais escadas e sei lá mais o quê, impedindo o correcto e rápido acesso aos apartamentos acima do "deck" ao nível do solo.

Para quem tem filhos pequenos, tem ali um belo petisco para deglutinar durante a semana de férias a que tem direito por pertencer ao Club Infiniti. Sem estacionamento ao nível da quantidade de hóspedes que ficam nesse hotel todas as semanas, fazer a logística de levar e trazer mantimentos e brinquedos para as crianças, torna-se numa tarefa dantesca, a qual só quem não tem filhos parece não compreender.

Foi o que me calhou durante a semana de férias em pleno Outubro. Somando a isto tudo o facto de estar a chover no momento da chegada e ser noite cerrada, a aventura adivinhava-se "deliciosa". E assim foi. Estacionar o carro longe, andar debaixo de chuva forte até à recepção (enquanto os putos ficavam no carro com a mãe), dar entrada no hotel e dizerem-me que o quarto que me calhou era apenas um mísero T0 na ala mais afastada do "Hotel Inferno", completou o quadro de início da estadia.

Voltar ao carro, descobrir que um dos putos tinha feito um belo "presente" e tentar mudar-lhe a fralda dentro de um carro a cheirar a bosta e com ele a chorar, foi algo de surreal mas lá se conseguiu que acabasse bem e não com porcaria espalhada por todo o carro. De seguida, a perspectiva de ter de levar as crianças e a tralha, mais a comida, para o quarto, desencorajava-me fortemente e a ideia de pasar a noite do carro começou a parecer-me muito agradável (depois de remover todo aquele mau cheiro que persistia).

Arranjar coragem para, debaixo de chuva, proceder à mudança de "instalações", seria o meu próximo passo. A chuva lá parou um pouco e essa era a abertura em que se decidiu avançar para levar tudo o que se pudesse para o quarto e mais tarde logo se via como era com o resto. A chuva não caiu durante essa operação, mas o chão, estando totalmente molhado, não permitia grande velocidades das pernas e todos os passos eram perfeitamente calculados para não nos estatelarmos no pavimento em frente a algum grupo de ingleses mais pândegos e prontos a gozar com a fauna local.

Depois da logística ter sido feita com sucesso, foi a vez de tentar descansar, mas os miúdos não deixaram descansar nem um pouco e o cansaço da viagem. aliado ao cansaço de ter transportado à mão uma série de sacos, malas e caixas de brinquedos, fizeram-me cair, desfalecido em cima de uma cama que me parecia uma autêntica nuvem (de tão confortável que era). Em abono da verdade, a cama poderia ter a pior do mundo que naquele momento seria, com toda a certeza, a melhor de todos os tempos.

O resto da semana foi repartida entre chuvadas fortes, chuva fina, sol, tempo nublado e uma tempestade com ventos fortes de sudeste. Uma verdadeira semana em grande para existir diversão e, ao mesmo tempo, adiantar algum trabalho. Ainda houve tempo para ir à praia com sol, à piscina com sol, à piscina sem sol e disfrutar um pouco das vistas e da tranquilidade de uma praia fora de época, juntamente com as crianças.

No global, tudo se conseguiu gerir sem grandes pânicos e fiquei a saber os cantos à casa (mesmo que verdadeiramente confusos, obrigando-nos a andar bastante para chegar a algum lado dentro do edifício). Foi a primeira e última vez que fiquei neste hotel e espero conseguir reservar uma semana no próximo ano, no Oura Beach View Hotel, pois é bastante melhor em termos de alojamentos e em termos de facilidades, do que este.

No regresso a Lisboa, foi fazer 280 km sempre debaixo de chuva e a 90 km/h pois a visibilidade em muitos locais era bastante reduzida devido à quantidade de água que caía do céu.

Digam-me o que pensam do Clube Praia da Oura, se alguém já teve a desventura de lá ter ficado e/ou usufruído das suas facilidades e apoio humano.

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