Piratarias...


Divulgar modos de piratear obras de propriedade intelectual num site, grupo de discussão ou num qualquer fórum é quase tão reprovável como partilhar essas obras abertamente pela Internet, no entanto, o dano pode ser mais extenso do que se possa pensar à primeira vista.

Quem o faz, não imagina que não só está a prejudicar os produtores de tais obras como também está a enviar uma mensagem de permissividade, laxismo e ilegalidade para os mais jovens que grassam por esses grupos em busca de assuntos que os interessem mais que adquirir as tais obras.

A luta pela piratatia informática está perdida à partida logo pelo modo como é efectuada na actualidade. Os piratas têm à sua disposição um leque variado de instrumentos e vias para difundir tudo o que conseguem deitar a mão sem sentir qualquer escrúpulo. Isto é assim porque não são apenas uma entidade mas sim uma série de células criativas que se reproduzem à velocidade da luz assim que uma delas é descoberta.

É uma organização descentralizada. Por ser desse modo, a investigação e rastreamento das tais células é virtualmente impossível de detectar e terminar definitivamente. As forças da ordem por todo o mundo estão numa batalha absolutamente inglória que vai destruíndo fundos públicos e ocupa organizações que se dedicam à denúncia de tais actos e identificação da origens dos servidores que disponibilizam as obras mais apetecíveis a circular na economia paralela.

Por mais que todas estas organizações exerçam pressão na sociedade civil ou mesmo os "lobbies" da indústria cinematográfica e dos direitos de autor, se ponham em campo para tentar destruir toda a actividades destes elementos nocivos para os produtores de obras intelectuais, também caem numa "guerra" sem fronteiras e, obviamente, as forças policiais dos diversos países não possuem jurisdição para continuar as investigações para lá das suas próprias fronteiras sem o apoio da Interpol ou da Europol.

Se a esses elementos, ditos nocivos para a sociedade do capital, chegam notícias de que estão a ser perseguidos ou investigados de algum modo, desaparecem nas "sombras" sem deixar qualquer rasto e uma vez mais as organizações que detêm o poder de combater estas situações, ficam a "ver navios" e a contabilizar as perdas com todas as operações desencadeadas e totalmente frustradas.

Tentar agarrar IPs e identificá-los é como tentar encontrar uma "agulha num palheiro"... bom de dizer mas péssimo de se fazer. Por mais IPs que se reunam, eles só nos dizem uma coisa: máquinas ligadas à rede em questão mas que nem sempre correspondem a ligações físicas identificáveis e correctas. Portanto, este meio de tentar iludir a opinião pública fazendo-a acreditar que deste modo cria-se uma onda de terror e de libertação de intenções de prevaricação, é uma ilusão só cristalizada na mente de quem ainda sonha com um mundo cor-de-rosa e onde as pessoas obedecem aos preceitos e leis dos governos.

Um "1984" de George Orwell (https://pt.wikipedia.org/wiki/Nineteen_Eighty-Four) é que dava jeito aos interesses capitalistas mundiais, mas as pessoas existem e tendem a irritar tais entidades fazendo-os sacar dos galões e tentarem pôr "ordem na barraca" sem nunca realmente o conseguirem. Quantos de nós estudámos graças à pirataria? Quantos de nós conseguimos cursos universitários à pála de fotocópias de livros, de sebentas ou de simples apontamentos? Isto é pirataria pura e simples e ninguém pensa neste assunto mas executa-se por necessidade sócio-económica e "venha quem vier".

Mas também tenho consciência que estas práticas alimentam o crime organizado, provocam despedimentos e geram um prejuízo na economia do país de muitos milhões de Euros ou Dólares ou outra moeda qualquer. Legalmente já existem leis mais que suficientes para combater tal flagêlo, no entanto, são absolutamente inúteis porque a pirataria está na cultura popular. A pirataria está em tudo o que se imita, em tudo o que é contrafeito, em todas as casas que têm de gerir um orçamento familiar muito baixo e com isso têm de fazer escolhas: geralmente a pirataria de cultura é uma das que fica de imediato.

Também as operadoras de Internet sem a pirataria, na sua maioria, não gerariam o tráfego que geram nos seus equipamentos de rede e não ofereceriam as altas taxas de "download" e de "upload" nas tecnologias ADSL e Fibra. Não faz sentido terem essas altas taxas e depois não se poder ir buscar nada ou existirem limites ao que se pode descarregar. Cada vez que penso nisto, vejo que não vale a pena os M4O ou M5O da portuguesa MEO ou outros pacotes de operadoras igualmente conceituadas. Oferecem tráfego ilimitado (de utilização consciente), o que quer dizer que nos diminuem a velocidade depois de excedermos alguns GB de tráfego na nossa conta.

Talvez para a próxima quando se fizer um contrato, se retire a parte de Internet (não podemos devido à tecnologia usada para distribuir o sinal IPTv) porque não faz sentido termos muito e não podermos usar. Este normalmente é o argumento de quem não mede as consequências e repercussões da pirataria. Quem tem plena consciência disso, contrata velocidades mais baixas porque as mais altas não vale a pena pagar por elas, pois não se vai usufruir de nada que exija tais taxas de débito.

O que pensam vocês deste assunto e também se pertencem ao grupo que obteve os diplomas à custa de pirataria de obras intelectuais?




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