Copo "meio-vazio"...

Porque tenho eu tendência para ver sempre o copo "meio-vazio" ao invés do "copo meio-cheio" como os chamados optimistas tendem a tornar a sua razão de viver. Porque vivo sem esperança de uma vida melhor, vivo sem esperança de um país pelo qual valha a pena lutar e ter orgulho. Assim como eu, estão milhões de portugueses, que vivem neste canto porque não possuem mais nenhum canto onde possam viver.

Não podemos todos emigrar porque nem todos possuem a capacidade ou a racionalidade para o fazer. Existem medos, inseguranças, medos (novamente) e acima de tudo a ideia de que lançarem-se à aventura com pouca escolaridade e sem meios de subsistência imediata, não vale a pena perder tempo e conforto e por isso, mais vale ficar por cá e ir vivendo até a morte chegar.

É por isto e por muitas coisas mais, que eu vejo sempre o copo "meio-vazio". É porque tanta gente já se desenganou e desiludiu com a ideia do copo "meio-cheio". Nunca deu em nada a não ser engordar quem lhes passou essa ideia tonta. Nunca vamos conseguir sair deste problema do débito excessivo. Nunca vamos conseguir sair deste ciclo vicioso de trabalhar para pagar dívidas incomportáveis e como tal, jamais vamos conseguir soltar "as amarras" da vida que cá temos.

Agora teremos sempre algo que nos equilibra... o nível médio da água no tal copo. Esse nível passará a ser a linha divisória entre a sanidade e a loucura, entre a efectividade de uma vida preenchida e a inutilidade de uma vida sem esperança. E quem tem responsabilidade pelo calibre de ideias que brota das mentes subjugadas à desistência de combater o sistema instituído? Nunca ninguém é "chamado à pedra" para ser responsabilizado pelo condicionar infinito de um povo durante décadas e décadas.

A imagem que Portugal tem no exterior é tão corrompida e inócua que roça o cómico. A última piada foi questionar muitos dos comissários europeus à saída de uma reunião do Euro Grupo, se sabiam quem era actualmente o primeiro-ministro de Portugal, ao que todos responderam, quase em unanimidade: "Não sei... ouvi dizer que era... esperem, não sei mesmo. Lamento.".

Ora isto vindo de um grupo que, alegadamente deveria conhecer todos os políticos à frente dos destinos de todos os países da União Europeia, roça fortemente o ridículo e nem sequer abona bom augúrio para uma nova política que está apenas a começar. Já todos estão em pânico e a reprovar o orçamento português e ainda "a procissão vai no adro". Isto quererá dizer, certamente, que maus tempos e "maus-ventos" virão na nossa direcção, talvez piores dos que até agora vinham.

Não sou de todo fã de austeridade e penso que o dinheiro sou feito para se gastar e quanto mais circular, melhor para a economia (seja ela de que origem for). Também não aprecio nada ser arauto de más notícias, mas tudo se configura no horizonte para que grandes nuvens de tempestade de abatam sobre nós, portugueses, uma vez mais. Gostaria de dizer que quem é responsável por isso, são os políticos, mas não.

Não são os políticos, os responsáveis pelo descalabro cíclico das nossas finanças: somos nós!!! Somos nós que escolhemos os nossos representantes e somos nós que os colocamos a dirigir os destinos do nosso território e do nosso povo, no entanto, por mais anos que passem e por mais vicissitudes que nos atrevessem, escolhemos sempre, mas sempre, os mesmos personagens para a mesma história que parece nunca mais ter fim.

Agora digam-me, prezados leitores, haverá no horizonte algum resquício de esperança para ver o copo "meio-cheio"? Não me parece para breve, para médio e mesmo para longo trechos. Estamos totalmente à deriva e ao desgoverno. Se o anterior era mau, este é dezenas de vezes pior. Alguém que levante a voz com honestidade e credibilidade, e conduza os destinos deste povo tão maltratado, tão espezinhado e tão enganado, para o "lugar ao sol" que tanto merece.

Digam-me o que pensam deste problema, expliquem os vossos pontos de vista e vamos debater com coragem e frontalidade, este problema que se determina como vital para o país como estado soberano, para nós que usufruímos, diariamente, deste canto da Europa e para quem nos olha de fora não imaginar que somos todos maluquinhos e que nunca sabemos tomar conta de nós próprios... pois é desse modo mesmo que nos vêem do lado de fora das nossas fronteiras.

Vamos mudar este estado de coisas e vamos agarrar novamente o futuro não o deixando passar pelas mãos de exploradores, oportunistas, banqueiros e agiotas que apenas pretendem consumir tudo, "mastigando-nos" e deitando fora tudo o que não puderem digerir.

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