13 de Maio...

Hoje perdi uma amiga que me era muito querida, devido a questiúnculas religiosas. Uma "beta beata" não assumida que tinha por hábito ir a Fátima fazer sabe-se lá o quê, mas que, para o efeito que não se cansava de afirmar, tanto lhe fazia ir a Fátima como a Santa Cruz (referência à cruz do tal Cristo em que ela acredita) ou a Freixo de Espada à Cinta. Para o objectivo dela era exactamente o mesmo. Uma aglomeração de pessoas que cantam a uma só voz para criar energia vibrante no lugar onde se concentram.

Ora isso não significa que existiu qualquer milagre ou que tenha acontecido qualquer evento sobrenatural naquele sítio. Apenas significa que estão lá aquelas pessoas todas porque ali se fez um terreiro e se construiram umas casas e uma igreja (paga pelo dinheiro que muita gente, erradamente, entrega à igreja) para estarem aquelas pessoas todas. É uma questão de puro marketing. Ponto.

Dizem que nós, os ateus e descrentes por natureza, não temos medo de nada nem de ninguém e não respeitamos nenhuma crença. Isso não é totalmente verdade, senão vejamos:
  • Respeitamos aqueles que, como nós, pensam livremente e sem filtros sociais ou religiosos;
  • Respeitamos aqueles que, como nós, vêem para além do que lhes é dado a conhecer e se esforça para entender mais à frente; 
  • Respeitamos aqueles que, como nós, articulam o seu conhecimento baseado em factos tangíveis e sem se deixarem levar por teorias miserabilistas sobre a criação do mundo entregue a divindades metafísicas;
  • Respeitamos quem acredita tanto na infinidade cósmica que nos leva a ter que admitir que não sabemos tudo sobre o universo e nada mesmo sobre a origem da vida no nosso planeta;
  • Respeitamos os que, como nós, estão prontos a questionar tudo e todos, na procura da verdade e sem se deixarem influenciar por questões ideológicas;
  • Respeitamos aqueles que não reduzam a sua inteligência ao explicar os eventos que não entendem como efeitos misteriosos dos caminhos do "Senhor";
  • Respeitamos aqueles que, como nós, olham para as arquitecturas eclesiásticas e respectiva arte, como arte sacra e que vale o que vale no contexto onde está inserida e no tempo em que foi criada;
  • Respeitamos aqueles que olham para a natureza como algo em constante mudança sem influências idiotas de qualquer tipo de deuses;
  • Respeitamos aqueles que não colocam entidades divinas acima das suas vidas e da sua existência;
  • Respeitamos aqueles que acreditam na corrupção da "santa mãe igreja" e das suas maléficas influências na evolução mental e cultural do mundo;
  • Respeitamos acima de tudo quem se respeita a si próprio e não se deixa manipular pelas forças repressivas do clero;
  • Respeitamos aqueles que não se deixam amedrontar pelas ameaças veladas de padres e instituições da cúria romana por todo o mundo;
  • Respeitamos os que acreditam no ser humano como bom e puro na sua nascença e que vai sendo corrompido pelas suas multifacetadas vivências diárias na sociedade que o envolve.
Afinal até respeitamos muita coisa e muita área do saber e do conhecimento, e nem somos más pessoas nem dominadas pelo demo (ou melhor, somos, se o demo estiver nos livros que contêm o conhecimento humano de milhares de anos e não forem livros feitos por ignorantes simplistas da criação do mundo). Apenas abrimos os olhos e deixámos de ver o mundo pelo filtro do "senhor".

Vemos a nossa existência como o resultado de muitos milhares de anos de evolução, de mistura de raças e de aprimoramento genético. Vemos a nossa existência como o resultado de um "cocktail" de factores estelares que nos trouxeram onde estamos neste momento e não como uma aparição mágica perpetrada pelo condão e capricho de uma força divina insondável. Somos racionais, somos humanos e amamos muito cá estar para pensarmos e decidirmos em conformidade.

Não estamos cá para nos sacrificarmos por quem não vale a pena ou sacrificarem-nos em nome de entidades imaginárias, venham elas de que quadrante vierem e nem sequer estamos cá para enganar ou pactuar com ilusões cósmicas criadas por alucinações colectivas. Somos assim porque em tempos nos tentaram iludir e conseguimos ver a luz a tempo. Como o fizemos? Lendo fora de tudo o que era religioso e abrindo a nossa mente a outras ideias.

Apesar de tudo, somos pessoas que estudam muito e que estudam tanto as várais religiões como tudo o que se situa fora delas. Devido a isso, e como é óbvio, decidimos estar no espaço em que podemos, racionalmente, pensar por nós próprios. É algo simples: ou se pensa pelo filtro da religião ou se pensa livremente. 

Já sei que este meu texto vai causar muita convulsão social nos meus amigos e amigas mas é feito de propósito com esse objectivo. Quanto existe demasiada gente a aceitar uma tendência só porque não lhes apetece pensar um pouco mais profundamente sobre as questões, atiram a "bola para canto" por preguiça de raciocínio. Eu tento contrariar essa tendência e trazer as pessoas para a razão e para a iluminação das suas mentes. Não sejam preguiçosos: estudem, entendam e expressem-se livremente.

A religião é uma prisão e vocês, os seus habitantes, sentenciados a penas perpétuas... pensem bem nisso!!!

Comentários

Kicas Fernandes disse…
Bem descrito. Excelente opinião sobre opulência do clero. Muito bom texto de se ler, conjugado com uma realidade que muitos refutam,mas praticam.