Anti-Marchas...

Serei o único que é anti-marchas populares? Só a palavra popular já me faz sentir urticária e querer falar mal dessa gente toda. Quem vê na TV o tipo de pessoas que participam neste tipo de eventos e toda a gente que se aproveita destes eventos para se auto-promover, fica a pensar se as marchas são realmente populares ou apenas mais um concurso de celebridades, equiparadas a um qualquer programa de um canal de qualidade duvidosa.

Digo tudo isto, porque está mais que claro que as marchas de Lisboa e o Santo António por si só, já há muito deixaram de ser algo produzido pelo povo, para o povo. Já há muito que as festividades ao santo padroeiro casamenteiro, deixou a soleira de meras festas de bairros lisboetas para infectarem praticamente todo o Portugal e mesmo sítios onde isso nunca foi tradição. Um bocado como o Halloween americano, ter sido absorvido pela "cultura" portuguesa.

A autarquia alfacinha, expandiu de tal forma a influência e os seus tentáculos dentro das organizações destas festas, que as marchas deixaram de ser simples marchas de apresentação dos seus bairros de origem e transfiguraram-se em algo mais grotesco: uma competição acirrada e uma tensão entre zonas habitacionais que, em alguns momentos, desagua em vias de facto, corrupção interna pela vitória nos desfiles e também onde oportunistas fogem com todo o dinheiro que os bairros, com muito esforço, juntaram para estes dias.

A tudo isto juntam-se, obviamente, as figuras "públicas" cheia de sede de sucesso e fama. encontram nestes eventos, a exposição porque tanto almejam e, ao apadrinharem cada uma das marchas, insuflam o seu ego até níveis impossíveis de aturar nos dias normais. andam por todo o lado como "baratas tontas" cheias de "remédio".  É patético ver as suas reacções durante o contacto com a populaça.

Uns beijos aqui e ali e o resto do tempo é fugir da horda de malucos, pois pode existir algum(a) psicopata no meio deles e deixá-los ali estendidos com algum tiro ou facada. Sim que isto agora está a tornar-se bastante usual e os "artistas" são visados pela exposição mediática. Eu se fosse a eles, deixava-me ficar em casa e "curtia" tudo a partir do conforto do sofá. Mas não... eles querem é exposição e alegria. Obviamente, sujeitam-se a problemas de índole física.

 Outra das maluqueiras que na maioria resulta em diversão para a mole humana que representa a maior parte das pessoas que assistem a estes eventos são, os já tradicionais, desde 1958: casamentos de Santo António. Estes casamentos de conveniência, porque o são na realidade, sucedem-se a um ritmo aluninante nestes dias. Tem de estar tudo pronto para as televisões poderem captar tudo e venderem os direitos a outras televisões que entretanto alimentam uma rede de influências e de negócios de direitos de imagem e publicidade que já nada tem a ver com o sentimento e a emoção que os bairros sentiam, quando no início das Festas de Lisboa.

Se as pessoas que participam nestes eventos como figurantes, marchantes ou organizadores, tivessem ideia do quanto vale a imagem e o tempo de antena que eles possuem nas noites em que marcham, reclamariam muito desse dinheiro para os cofres das edilidades e deixariam à míngua, quem lhes capta os movimentos.

Alguns dos que me lêem podem dizer que, claramente, sou um gajo que destila ódios pessoais por muita coisa e que eu deveria procurar ajuda psicológica. Que as coisas que escrevo, são apenas uma forma de exteriorizar o quanto perturbada e indefinida, a minha existência se tem revelado. No entanto, posso dizer-vos que a minha escrita é isso mesmo: uma exorcisação de tudo o que vejo mal na nossa sociedade, e estas festas, são o epítemo de toda a hipocrisia e cinísmo que grassa a todos os níveis, tanto dos bairros como da câmara.

Passo a explicar: os bairros passam o ano inteiro a reclamar que a câmara não faz isto nem aquilo e que não liga a nenhuma reclamação que os moradores lhes envia. Durante este período de um mês, a câmara é a melhor do mundo e todos estão felizes e contentes com o que a edilidade da capital, permite fazer. Chegado o dia 1 de Julho, volta tudo ao normal e a câmara é a pior do mundo. Ora vá lá entender-se esta gente... popular.

O meu desejo para todos os que gostam disto, é que se divirtam o melhor que possam e fujam dos "comes-e-bebes" que estão pela hora da morte e também tenham sempre atenção às autoridades que estão à espreita de todos os que abandonam a festa, para lhes medir o "bafo" a álcool e tentarem facturar para fazerem uma bela maquia e enfiarem alguns na cadeia por ingestão abusiva de bebidas alcoólicas e desacatos na via pública.

Sejam civilizados, ordeiros e não deitem o lixo para a rua. Boas Festas de Lisboa a todos...

Comentários

Kicas Fernandes disse…
Sem dúvida. Parabéns. Bem descrita a turbulência "mercantil" que a meu ver se tornaram os Santos Populares. A descrição ilustra bem, a racionalidade dos irracionais. Parabéns.