Longevidade...

Viver longos anos será bom para uma pessoa? Será bom para alguém que nos é próximo? Não.

Perde-se a razão de viver. Saturam-se os entes queridos. A vida torna-se inútil, sem qualquer sentido e um enorme fardo. As razões para partir são várias e estendem-se desde a fisiologia à psicologia.

A demência acompanhada pelos problemas físicos faz com que viver longos anos seja algo não desejável por quem cuida de nós nessas idades. As suas próprias vidas tornam-se condicionadas pela nossa presença e não podem expandir-se livremente, como seria de esperar.

É bom termos as pessoas que amamos por cá muitos anos, no entanto, isso irá ser uma prova à paciência e aos nervos de cada um de nós. Finalmente a questão financeira será de tal forma degradada que levaremos muito tempo para recuperarmos alguma estabilidade de vida... se alguma vez conseguirmos recuperar.

Casos existem que, levados pela assistência permanente aos entes acamados, ficam terrivelmente dependentes de empréstimos bancários e jamais conseguem liquidar as suas obrigações financeiras, tornando as suas vidas num inferno existencial, a par da pessoa que está às portas do término da sua existência neste planeta.

Sei que este assunto é extremamente polémico (se não fosse não o estaria a colocar aqui), mas friamente temos de o colocar nas nossas mentes para que, mais tarde ou mais cedo, possamos pensar devidamente nele, com consciência do que está a acontecer aos nossos entes mais queridos.

Se viverem longos anos com uma autonomia relativamente estável e sem grandes problemas, são uma grande mais valia para as vidas de quem com eles convive e uma grande fatia de afecto para os netos. No entanto, se a sua existência for palco de constantes doenças ou problemas motores, condicionará fortemente a sua vida e a dos demais familiares que se dedicam aos seus cuidados.

Solução para este problema? Não existe para já, mas urge encontrar algum tipo de relação entre a vida próspera e estável (profissional e financeiramente) dos entes do familiar que fica impossibilitado de conduzir a vida pelos seus próprios meios, para que, também esses, fiquem absolutamente perdidos na vida.

Caso exista alguém que preconize algum tipo de ideia para estas situações, poderia colocá-la à consideração nesta página. Soluções que passem por lares de 3ª idade não são a solução que necessito. Os lares são depósitos de pessoas em situação social crítica ou para onde os familiares (com posses), atiram os seus entes séniores e onde pagam grandes quantias (os que podem), para os manter fora de casa e sem o ónus de terem de estar permamentemente com eles.

Isto é totalmente degradante para o ser humano e como tal, nada alvitrante para quem trabalhou uma vida inteira para dar uma melhor condição de vida aos filhos ou netos.

Vamos pensar nesta problemática mais profundamente e entender como será a nossa vida daqui a uns anos quando teremos de nos confrontar com esta questão que nos irá, sem sombra de dúvida, calhar a todos.

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